Vale sempre lembrar: Vacinas não causam autismo

25/03/2019 | Entendendo o TEA | 0 Comentários

Mais de 20 estudos comprovaram que não há relação entre vacinas e desenvolvimento de TEA

A revista científica Annals of Internal Medicine publicou na edição de março de 2019 um estudo que comprova a ausência de vínculo entre a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) e os distúrbios do TEA. Realizada na Dinamarca, a pesquisa acompanhou mais de 650 mil crianças nascidas entre 1999 e 2010, com entrevistas de avaliação até 2013.

A comparação entre o grupo que recebeu a vacina tríplice e o grupo não vacinado demonstrou que a vacina não aumenta o risco do desenvolvimento de distúrbios do espectro autista. Os participantes foram analisados em diversos critérios, desde as informações relacionadas à vacinação geral (tríplice e outras) e os diagnósticos confirmados de TEA até o histórico médico da criança, fatores ambientais de riscos associados ao autismo e a análise de casos de autismo na família.

Estudo que associou vacinas e autismo foi rejeitado por acusações de fraude

Este é o mais recente estudo a reafirmar que não existe relação entre vacinas e o aumento no número de diagnósticos de TEA. Desde o início do anos 2000, já são mais de 20 pesquisas realizadas ao redor do mundo com diferentes metodologias e grupos populacionais. No entanto, a comprovação científica segue sendo necessária para combater a onda de desinformação presente na sociedade, que propaga a interpretação falsa de que vacinar as crianças leva ao desenvolvimento de transtorno do espectro autista.

A confusão entre vacina e autismo começou em 1998 quando a revista científica Lancet publicou um artigo do pesquisador inglês Andrew Wakefield descrevendo o caso de 12 crianças que teriam desenvolvido autismo após receberem a vacina tríplice (MMR, em inglês). O estudo serviu de base para o discurso anti-vacinação e foi espalhado pelo mundo todo.

Logo após a publicação, as taxas de vacinação na Europa e Estados Unidos passaram a registrar quedas anuais e surtos de sarampo (uma doença que estava sob controle até o início da década de 1990) voltaram a tornar-se comuns, como a epidemia na Europa em 2017. O Brasil perdeu o status de país livre de sarampo, após não conseguir controlar o surto da doença na região Norte. Além disso, em 2017 a cobertura vacinal no país atingiu o menor índice em 16 anos.

Vacinas salvam de 2 a 3 milhões de vidas por ano no mundo todo

Em 2010, o Conselho Médico Geral britânico cassou a licença médica de Wakefield com base em acusações de fraude em evidências na sua pesquisa. A revista Lancet também se retratou, retirando o artigo do seu acervo. Além das dezenas de estudos desacreditando a relação entre vacinas e autismo, também pesou contra Wakefield a suspeita de que ele teria patenteado uma vacina contra sarampo para concorrer contra a tríplice viral, o que configuraria conflito de interesses.

A nuvem de suspeita provocada por esse caso repercute até hoje. No Brasil, é possível encontrar grupos de discussão de pais propagando a ideia de que vacinar não é necessário ou benéfico. É importante lembrar que as vacinas salvam de 2 a 3 milhões de vidas por ano no mundo (dados da Organização Mundial de Saúde e UNICEF) e que quaisquer possíveis efeitos adversos das vacinas não são maiores que os prejuízos provocados pelas doenças. O sarampo, por exemplo, é uma doença de elevada mortalidade com sequelas muito graves como cegueira e surdez. Uma pessoa contaminada pode infectar até outras dez. Se hoje, é incomum encontrar pessoas sofrendo com sarampo é justamente porque as vacinas protegeram a população dos efeitos nocivos desta doença. A prevenção é um esforço contínuo que deve ser renovado em cada nova geração.

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