Conheça a história de Marina Amaral, colorista digital reconhecida pelo mundo e diagnosticada com autismo

O talento da colorista digital Marina Amaral é raro. Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, ela é especialista em colorir manualmente fotografias em preto e branco. A partir do seu trabalho, confere vida aos registros do passado, propondo uma revisita à nossa história. Sua arte chama a atenção por devolver cores a fotos de diferentes períodos históricos marcantes, fomentando a memória e a história, a partir de uma nova perspectiva, moderna e mais atrativa a jovens e diferentes públicos.

Essa jornada artística começou efetivamente em 2015, quando ela encontrou uma coleção de fotos colorizadas da Segunda Guerra Mundial e foi fisgada por um hobby que hoje se tornou profissão. 

Com conhecimentos de Photoshop, programa de edição de imagens, ela tomou a decisão de aprender por conta própria a arte que a encantou. Foram muitas horas de pesquisa, estudo e atenção a tutoriais. 

 

Albert Eistein, por Marina Amaral, imagem originalmente publicada no site ccult.org, com licença creative commons.

 

Hiperfoco 

Com muito foco, avançou. Mas, não era um foco comum: ela conta, por exemplo, que ficou tão tomada por essa nova empreitada, que esquecia até mesmo de dormir, entre outras tarefas rotineiras. Esse cenário, na verdade, trazia à tona um fenômeno muito comum em pessoas dentro do Transtorno Espectro Autista (TEA): o hiperfoco. Portanto, o comportamento que era atribuído à paixão que ela tinha por história e edição de imagens tinha um motivo e estava associado ao diagnóstico de autismo, descoberto já na fase adulta.  

Vale dizer que o hiperfoco é uma das características do TEA e, como o próprio nome diz, consiste em um foco intenso e até mesmo exagerado, movido por um profundo interesse sobre o tema ou atividade em questão. 

Diagnóstico Autismo

O diagnóstico de autismo nível 1 veio depois de algumas consultas com um médico psiquiatra. Em entrevistas, Marina revela que sinais como ansiedade e dificuldade em interações sociais já eram percebidos desde a infância. 

Reconhecimento 

Artista autodidata, Marina Amaral tem um trabalho impecável, cuidadoso e muito detalhado.Toda essa dedicação rendeu a ela o título de “mestre da colorização de fotos”, pela WIRED Magazine. Além disso, seu trabalho ganhou visibilidade em  veículos como BBC, New York Times, London Evening Standard, Washington Post e National Geographic Magazine.

Por seu talento, foi incluída na lista Forbes 30 Under 30 em 2021.

Trabalhos de destaque 

Em 2022, Marina Amaral trabalhou ao lado do ACNUR, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, no projeto “A Cor do Voo”. Com sua arte, deu cor à  história de refugiados.

Um ano antes, atuou com a colorização para o documentário ‘BILLIE’, sobre  Billie Holiday, do diretor James Erskine. 

Marina foi reconhecida por seu trabalho nos projetos #ROMANOVS100 e #1917LIVE. Foram vários prêmios e indicações internacionais – 

a artista foi finalista do Festival Cannes Lions em 2018 e 2019. 

Fundadora do ‘Faces of Auschwitz’, colaborou com o Memorial e Museu de Auschwitz, restaurando fotos das vítimas do campo e ajudando a resgatar as histórias de vida dessas pessoas. 

Ela também é autora e seus livros foram traduzidos para mais de 12 idiomas. 

Entre os trabalhos mais recentes, está a obra “A Woman ‘s World”, em parceria com o aclamado historiador britânico Dan Jones.

Saiba mais sobre o trabalho de Marina Amaral em seu site oficial, clique aqui.