O papel das famílias no desenvolvimento de crianças com TEA: a importância e os desafios
O papel das famílias no desenvolvimento de crianças com TEA: a importância e os desafios
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que, independente do nível de suporte, impacta não apenas a criança, mas também toda a dinâmica familiar. A partir do diagnóstico, novas atividades são incluídas durante a rotina daquela família, como as terapias com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais e de acordo com a necessidade daquela criança.
Pesquisas recentes indicam que o envolvimento ativo dos cuidadores está diretamente relacionado a melhores resultados no desenvolvimento de crianças com TEA. A participação e engajamento dos pais nas intervenções dentro e fora de escolas e terapias — aplicando estratégias aprendidas durante as terapias, promovendo interações sociais, trabalhando a autonomia e mantendo diálogo com os profissionais — contribui para avanços nas habilidades sociais, comunicativas e favorece a generalização de habilidades. Além disso, a literatura destaca que a família funciona como um agente regulador do ambiente, oferecendo previsibilidade, estrutura e suporte emocional, elementos fundamentais para crianças no espectro.
Por outro lado, esse papel também traz desafios importantes. Famílias frequentemente vivenciam níveis elevados de estresse e sobrecarga emocional, especialmente para as mães, diante das demandas intensas de cuidado, das dificuldades de comunicação com o filho e da necessidade de conciliar diferentes áreas da vida ou, ainda, da necessidade de abdicar do trabalho fora de casa para cuidar em tempo integral de sua criança. Estudos mostram que dificuldades no manejo do comportamento estão associadas ao aumento da ansiedade parental e à sobrecarga emocional (Xu et al., 2026). Além disso, fatores como acesso limitado a serviços especializados via SUS e custos relacionados ao tratamento podem impactar diretamente a qualidade de vida dessas famílias.
Cuidando de quem cuida
Além da família nuclear, o suporte de outros familiares também pode desempenhar um papel importante e fundamental como rede de apoio. Avós, tios e outros cuidadores podem contribuir com apoio tanto para a criança, quanto para a mãe ou outro cuidador que esteja à frente do cuidado, embora nem sempre esse suporte esteja disponível ou seja isento de desafios, como a falta de informação sobre o TEA ou a presença de estigmas (Li et al., 2025).
É necessário ter um olhar especializado e individualizado não só para a criança com autismo, mas também para aquele cuidador que está empenhado no acompanhamento e no desenvolvimento, já que o cuidado no TEA é contínuo e se transforma ao longo do tempo. Estudos apontam que, mesmo na adolescência e na vida adulta, a família permanece como uma fonte essencial de apoio. Isso reforça a importância de fortalecer redes de apoio e promover intervenções que considerem não apenas a criança, mas todo o sistema familiar e o cuidado de ambos.
Tendo em vista os desafios enfrentados, torna-se cada vez mais necessário e imprescindível a orientação parental, para que o cuidador seja acolhido e orientado de forma eficaz referente aos desafios presentes em seu dia a dia com aquela criança autista, reduzindo assim as dificuldades, aumentando o manejo comportamental, a comunicação e auxiliando a adaptação da rotina.
Assim, compreender o papel e as dificuldades das famílias no desenvolvimento de crianças com TEA é essencial para a construção de práticas mais eficazes, acolhedoras e alinhadas às necessidades reais do cotidiano.
Referências
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Ticiane Marsulo Franciozi
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP) e especialização em fase de finalização em Intervenção em Análise do Comportamento Aplicada para Autismo e Deficiência Intelectual pela CBI of Miami. Atualmente é psicóloga do Núcleo de Autismo do Sabará Hospital Infantil
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