A inclusão de autistas no mercado de trabalho

9/01/2020TEA no Dia a Dia2 Comentários

ONG preparou ambiente para a chegada do primeiro funcionário com TEA do Sabará Hospital Infantil

Cerca de 80% das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão fora do mercado de trabalho. Só no Brasil, esse número pode chegar a 1,4 milhão. Tirar essas pessoas de casa e torná-las economicamente ativas é uma das missões da Specialisterne, ONG que promove a formação, capacitação e inclusão de pessoas com autismo em organizações. Uma delas é o primeiro funcionário com TEA contratado pelo Sabará Hospital Infantil, entidade que – assim como o Autismo e Realidade – faz parte da Fundação José Luiz Egydio Setúbal

Há 4 meses, a presença do novo funcionário vem fazendo diferença na equipe do hospital, que conta com outros 23 profissionais com deficiência – física, visual ou auditiva. Com a inclusão de pessoas com deficiência, “o time fica mais humanizado e a comunicação flui de forma melhor”, explica Yolanda Rodrigues, gerente de operações da Specialisterne. A organização existe há 14 anos, mas atua há 3 anos e meio no Brasil, onde tem cerca de 20 parceiros. Atualmente, dedica-se a incluir no mercado de trabalho pessoas com autismo leve, autismo de alto funcionamento ou Síndrome de Asperger. A ONG não garante a empregabilidade, mas tem uma taxa de 93% de pessoas inseridas em organizações.

Specialisterne capacita autistas para emprego e orienta empresas a como acolher melhor os novos funcionários

O processo começa com a preparação do funcionário. A cada três meses, a Specialisterne forma uma turma de até 12 pessoas a partir de 18 anos. Como alunos, os autistas participam de ao menos 5 meses de treinamentos na área administrativa ou de tecnologia. No segundo mês, já é possível saber em que vagas cada um se adapta melhor. No caso do funcionário do Sabará, o treinamento foi voltado ao tratamento de dados já que ele se sente mais estimulado ao lidar com planilhas, documentação e cadastros. Quando uma vaga adequada é encontrada, o candidato passa por uma entrevista e entra como consultor da ONG por um período de ano, em que recebe acompanhamento semanal de um psicólogo.

Após a entrevista, começa a sensibilização da equipe da qual ele fará parte. A quebra de estereótipos é prioridade. “Quando falamos do autismo, ou fazem uma relação com autistas de filmes de sessão da tarde, extremamente introspectivos e que não se relacionam, ou, por outro lado, com o autista que é um gênio”, diz Lucyanne Masson, supervisora de desenvolvimento humano da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, instituição que administra o hospital.

Longe dos extremos, o novo integrante do time surpreendeu. Pediu para ir a um treinamento da Brigada de Incêndio, visitando outro prédio e conhecendo profissionais de outra área por iniciativa própria. “Estou conseguindo desenvolver mais minhas habilidades de comunicação, e profissionais”, avalia o rapaz. “O que acho mais interessante no trabalho são as conversas e interações com meus colegas, pois ajudam a descontrair o ambiente”.

O objetivo da fundação é ampliar o número de pessoas com TEA na equipe de forma gradual. Passado um ano desta primeira experiência, fundação, funcionário e Specialisterne vão avaliar a possibilidade de contratação e, a partir daí, investir em novos consultores. “A ideia não é contratar por contratar, mas que ele esteja incluído”, diz Yolanda, da Specialisterne. “Se tivéssemos outro profissional sem essa limitação, a produtividade seria maior, mas não é o que importa para nós. Queremos promover a inclusão”, completa Lucyanne.

2 Comentários

  1. Maria Lúcia

    Gostaria de indicação de profissionais especializados em aspenger. Meu filho tem 24 anos, faz terapia há 2 anos, tem diagnóstico de aspenger, não tem evoluído. Não se insere no mercado de trabalho, está à beira da depressão, não sai de casa, não tem amigos, é muito inteligente…

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *