Autismo e higiene pessoal: dicas práticas

22/07/2024Vida & Neurodiversidade2 Comentários

Autismo e higiene pessoal: dicas práticas

A rotina de autocuidado e higiene pode ser desafiadora para quem tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares. O processo de tirar a roupa, entender suas fisiologias, ir a um banheiro diferente e criar um hábito rotineiro para, por exemplo, escovar os dentes e tomar banho, pode merecer atenção e diálogo. 

Segundo a terapeuta ocupacional do Instituto PENSI, Stephanie Bruna dos Santos, as dificuldades de higiene relatadas por pais e cuidadores costumam envolver: higiene íntima (desfralde e utilização do vaso sanitário), higiene dos cabelos e higiene bucal. 

“O sabor do creme dental, a textura das cerdas da escova de dentes e outros produtos de higiene, passando ainda pelo próprio banheiro, podem ser gatilhos por conta dos distúrbios sensoriais relacionados ao autismo”, explica a profissional. 

É comum, em alguns casos, que crianças com TEA aprendam a usar o banheiro somente com uma idade mais avançada, quando comparamos com crianças típicas.

Algumas crianças com autismo se acostumam com a rotina de usar o banheiro em casa, mas podem ter dificuldade para uso na escola ou em outros lugares públicos, por exemplo. 

Pontos de atenção: 

Pode haver razões físicas ou psicológicas que impeçam a criança de usar o banheiro. Por isso, sempre converse com a equipe multiprofissional que acompanha seu filho(a). 

Pela dificuldade com a linguagem, recomendamos não esperar a criança com autismo pedir para usar o banheiro. Acompanhe de perto e crie mecanismos para que a rotina seja estabelecida naturalmente. Um cronograma visual pode ajudar!

É comum que crianças com TEA também tenham dificuldade para manusear as roupas na hora de usar o banheiro. 

Para gerir o medo que essas crianças podem sentir, seja por conta do ambiente ou de barulhos, como o da descarga, esteja por perto e observe.

É preciso reforçar a constância e a criação de novos hábitos. Afinal, muitas crianças com TEA já podem ter definido sobre como fazer xixi ou cocô, o que demandaria a criação de uma nova rotina. 

Confira dicas para ajudar nesse processo, segundo a terapeuta ocupacional Stephanie Brunas dos Santos:  

  • Promover o brincar lúdico com a criança para a aproximação das atividades, como brincar de trocar a fralda da boneca, escovar os dentes do jacaré, lavar e pentear os cabelos do boneco etc. Por meio do brincar, que é a principal ocupação da criança, promovemos aprendizagem e aquisição de habilidades. 
  • Promover a participação ativa da criança na execução dessas atividades no dia a dia, permitindo que ela explore e conheça os ambientes e os itens necessários para a realização, auxiliando na compreensão do meio e suas funções.  
  • A participação ativa da criança ao realizar algum passo da atividade de forma independente também influencia em sua autoestima e motivação, engajando-a na realização da atividade. 
  • Rotina visual para antecipação das atividades e tarefas que serão realizadas no dia (muitas  crianças com TEA precisam de previsibilidade dos eventos que acontecerão durante o dia) e rotina  visual com passo a passo da tarefa a ser executada. Ex.: higiene bucal – pegar escova de dentes, colocar o creme dental, escovar de um lado, escovar do outro, escovar a língua, bochecho etc. 
  • Certifique-se de que as idas ao banheiro sejam confortáveis e atente-se para  as necessidades sensoriais do seu filho(a). Se ele(a) não gosta de determinados sons, cheiros ou objetos, veja como tornar o ambiente mais amigável.

 

Saiba mais!

Acesse as cartilhas: 

Convivendo com o TEA – Treinamento para usar o banheiro

Convivendo com o TEA – Higiene Bucal

 

Referência:

LONGO, 1. S. F. Independência em atividades de vida diária (AVD’s) em crianças com transtorno do espectro autista (TEA): a perspectiva de profissionais da terapia ocupacional -Belo Horizonte, 2022. Dissertação [Especialização] apresentada à Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Disponível em: Especialização em TEA – ltala Stephanie.pdf (ufmg.br)

 

 

2 Comentários

  1. Gostaria de saber como a podologia pode ajudar o autista

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  2. Importantíssimas dicas aqui apresentadas, sem dúvida ajudarão muito. Gostei de mais do artigo enfatizando a importância de paciência, compreensão e a celebração de pequenos progressos, adaptando as estratégias às necessidades individuais de cada pessoa. Nota 10.
    De uma forma bem simples no meu blog eu também abordo um pouco sobre os cuidados com a saúde das crianças jovens e adultos.

    Parabéns pelo artigo.

    Responder

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