Autismo não é doença: saiba mais sobre o TEA e como tratar

12/12/2025Saúde & Diagnóstico5 Comentários

Autismo não é doença: saiba mais sobre o TEA e como tratar

 

Apesar de cada vez mais debatido, muitas são as dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para começar, vale reforçar que o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento com manifestações que variam amplamente entre indivíduos e, muitas vezes, ao longo da vida da própria pessoa.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o TEA constitui um grupo diverso de condições, caracterizado por diferenças na comunicação e na interação social, além de padrões específicos de comportamento e interesses.  Outras características incluem padrões atípicos de atividades e comportamento.

O Ministério da Saúde reforça que o TEA é caracterizado por diferenças nas funções do neurodesenvolvimento do indivíduo, impactando aspectos como comunicação, linguagem, interação social e comportamento.

Anteriormente, diferentes categorias do autismo eram nomeadas como Síndrome de Asperger ou Transtorno Desintegrativo da Infância. Hoje, com a revisão do DSM-5, todas as distinções foram agrupadas dentro do espectro autista, refletindo uma compreensão mais ampla e contínua da condição.

Por que o autismo não é doença?

Ainda de acordo com a OMS, a saúde é definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doenças. Doenças, por sua vez, são condições ou estados que afetam negativamente o funcionamento normal do organismo, causando sinais e sintomas específicos.

Os transtornos, como o espectro autista, são entendidos como condições do neurodesenvolvimento que impactam a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e se comporta. Eles são diagnosticados com base em critérios específicos estabelecidos em manuais de diagnóstico, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e a CID-11.

Neurodiversidade e o autismo como condição

Como vimos, o autismo não é doença e, para entender melhor o autismo enquanto uma condição, podemos recorrer aos conceitos de neurodiversidade e neurodivergência.

A neurodiversidade é a variedade de composições neurológicas humanas. Ela engloba as pessoas típicas ou neurotípicas (aquelas que se desenvolvem dentro do que é considerado padrão) e as pessoas atípicas ou neuroatípicas (aquelas que se desenvolvem fora do que é considerado padrão, como pessoas com TEA, TDAH etc.).

Ou seja, tanto pessoas típicas quanto atípicas compõem a neurodiversidade humana. As pessoas atípicas são também chamadas de neurodivergentes, justamente por divergirem do que é entendido como padrão. Elas não são doentes, apenas se apresentam de uma das inúmeras maneiras que compõem a neurodiversidade.

Neurodiverso é o termo usado para classificar grupos e, por sua vez, neurodivergente é usado para se referir a um indivíduo. Um grupo de pessoas pode ser considerado neurodiverso se reúne pessoas neurotípicas e neurodivergentes. Mas uma pessoa, por si só, não é considerada neurodiversa, pois com apenas uma pessoa não há variabilidade de composição neurológica.


Cura para o autismo?

Uma vez diagnosticada com autismo, a pessoa será autista por toda a vida. Crianças com TEA se tornam adultos com TEA. Ou seja: não há cura para o autismo. Mas há diferentes tratamentos disponíveis, a depender da especificidade de cada indivíduo. Quanto antes o diagnóstico for realizado, melhor para intervenções com foco em promover mais qualidade de vida.

Apesar de ser cada vez mais comum o diagnóstico tardio do autismo, os primeiros sinais começam já na infância. Quando identificado nessa fase, é possível planejar intervenções e adaptações com uma equipe multiprofissional, acompanhando a trajetória da criança desde a vida escolar até a vida adulta.

Ao longo da vida da pessoa com TEA, as manifestações do transtorno podem se tornar mais amenas, mas isso não quer dizer que a pessoa esteja “curada”. Essas variações de intensidade podem ocorrer dependendo dos estímulos que a pessoa recebe e de características específicas, como a presença de comorbidades, a carga genética e fatores ambientais.

A intensidade de manifestação do transtorno pode sofrer influência, por exemplo, de medicamentos para crises emocionais ou distúrbios do sono ou de algum acontecimento que desperte gatilhos.

Mas é possível deixar de ter autismo?

A resposta é não. Mesmo com avanços significativos ao longo da vida, a pessoa continua autista. O que muda é o acesso a suporte adequado, que pode favorecer independência, bem-estar e participação social.

Nesse sentido, também é importante lembrar que o Transtorno do Espectro Autista abarca uma diversidade de pessoas, com sintomas múltiplos e individualidades que as tornam únicas. 

Há diferentes níveis de suporte e o mesmo diagnóstico pode se manifestar de diferentes formas:

  • Nível 1 de suporte: necessidades leves de apoio para organização, rotina, comunicação e interação.
  • Nível 2 de suporte: maior necessidade de suporte para lidar com demandas cotidianas e sociais.
  • Nível 3 de suporte: apoio substancial e contínuo devido a desafios significativos na autonomia e na comunicação.

Frente a esse cenário, vale lembrar que  oferecer suporte precoce e adaptações envolvendo família, escola e equipe multiprofissional de saúde (pediatra, psiquiatra, neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, entre outros, a depender de cada caso) são essenciais.

A sociedade também não pode ficar de fora. É preciso reduzir o estigma sobre o TEA, disseminar informações confiáveis em prol do respeito e do acolhimento à diversidade, além de contribuir para maior inclusão e respeito ao próximo, fortalecendo os direitos da pessoa com TEA.

 Referências:

5 Comentários

  1. Quão valoroso é sabermos informações sobre o TEA ,nos ajuda muito ,agradecida demasiadamente pelos artigos ,de muito valor .

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  2. Muito gratificante as informações, para nós saber lidar com pessoas tão sensíveis é especiais. Assunto como esse enriquece nosso conhecimento.

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  3. nos temos um filho autista nivel 1 , gostariamos de levar em uma pessoa especialista em autismo pra podermos sabermos mais sobre o caso.

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    • Olá! É importante procurar profissionais especializados, como pediatras, neuropediatras ou psicólogos. Eles poderão avaliar seu filho de forma adequada e orientar os próximos passos.

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