Diversidade no espectro autista

2/10/2024Vida & Neurodiversidade6 Comentários

Sexualidade é um assunto amplo. E, quando falamos de pessoas com autismo, a história ganha ainda mais elementos. O espectro autista é enorme e, apesar de características comuns, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm suas individualidades – que nem sempre são facilmente interpretadas e respeitadas.

A pauta sexual começa a ficar mais presente com a chegada da adolescência, período marcado por fortes mudanças no corpo, na mente e na forma de se relacionar consigo, com o outro e com o mundo. O medo do desconhecido pode afetar, bem como o julgamento. Sem dizer da pressão interna e externa de responder a determinados padrões – e tudo isso vale também para pessoas com autismo. 

Também dentro do espectro, a questão da orientação sexual é importante. Para além do TEA, todos merecem respeito por sua orientação e suas escolhas. A diversidade diz respeito a todas as pessoas. Para as pessoas com autismo, no entanto, esse caminho pode ser mais desafiador? Geralmente, sim. Mas, também,  depende de cada um, da família e do ambiente onde essa pessoa vive.

Preconceito: ouça, acolha e exija respeito

Ninguém está imune ao preconceito que pessoas com orientações sexuais diversas podem sofrer. Seja como for, isso traz impacto para as emoções e pode demandar uma atenção especial e um processo de escuta ativa importante. E como fazer no caso de pessoas que têm dificuldade de falar sobre como se sentem e costumam enxergar o mundo de outra forma?

Vale reforçar que cada pessoa com autismo é uma e que comparações só trazem danos. Diálogo aberto, acolhimento, escuta ativa e orientação psicológica, também para família, podem ajudar muito. 

E quando a discriminação vem da própria família? Pode parecer contraditório, mas é possível que pais e parentes “aceitem” o(a) filho(a) com autismo, mas não “aceitem” sua orientação sexual. Isso, claro, torna o processo ainda mais difícil – para todos os envolvidos.

Por isso, é importante falar sobre respeito, acolhimento e amor – em um processo que precisa (ou, pelo menos, deveria), começar pela família. E quanta diferença isso faz!

Autismo e sexualidade

Assim como o autismo faz parte da neurodiversidade, também está inclusa na diversidade a questão da sexualidade.

Como o espectro autista é amplo, falar sobre sexualidade, sentimentos e afetividade, principalmente por meio de uma comunicação não verbal ou com alguém com mais dificuldade de interagir, é ainda mais complexo. Tentar fazer com que eles pensem ou vejam o mundo da sua forma ou como a maioria enxerga, não é um bom caminho.

Pesquisas apontam que pessoas com diagnóstico de TEA podem chegar a conclusões sobre sua identidade sexual de forma diferente das pessoas neurotípicas. 

Há ainda aqueles que acham que a sexualidade não deve fazer parte da vida da pessoa com autismo ou que isso não seja assunto para ser abordado. Mas, o que se sabe é que uma educação inclusiva também passa por esse ponto. Ainda há muito a ser aprendido e debatido. Deixamos aqui a mensagem de respeito, diálogo e enfrentamento ao preconceito.

6 Comentários

  1. A sexualidade ( preferência sexual, prática em sexo ) é algo de extrema responsabilidade daquele que responde por si mesmo . Como , um tutor vai permitir o adolescente autista se relacionar com outra pessoa, se os cuidados disso cabe ao responsável pelo mesmo ? Nem todos são iguais, há autistas que sentem a vontade do sexo em si por ser uma necessidade fisiológica sim, mas os pais ou tutores não se dispõe a querer entrar nesse jogo. É bem mais complicado do que se pensa ou se discute .

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  2. Estamos no século XXI e no ano 2024, Por incrível que pareça, ainda há gente – e muita gente – que vê o autismo com aquela reação de preconceito.
    Clinicando como psicanalista, tenho experimentado situações das mais incríveis, envolvendo a pessoa com autismo e familiares.
    Realmente, a questão da sexualidade é mais um entrave para lidar com pessoas com o TEA.
    Mas devemos enfrentar esse problema como um processo que teve seu inicio, está se desenvolvendo e vai ser resolvido num futuro bem próximo.

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  3. Sou enfermeira Estratégia da saúde da família, sou especialista em oncologia e saúde mental.
    E gostaria muito de receber sempre informações e materiais didático sobre autismo.curto muito a troca de saberes.

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    • Olá! Aqui no blog do Autismo e Realidade você já encontra diversos conteúdos sobre desenvolvimento infantil e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
      Se quiser receber nossos materiais, basta se cadastrar em nossa newsletter, na página inicial do site.

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  4. Artigo de conteúdo riquíssimo. Gostei bastante do tema proposto, porém o título poderia incluir a sexualidade. Pois o tema proposto no embalar do testo é exatamente este e não diversidade no amplo.

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  5. Olá, boa noite. Primeiramente quero mais uma vez parabenizar esse site pela forma como trata o tema do autismo, principalmente em relação à diversidade de assuntos que abrangem esse tema. Em relação à matéria, gostaria de compartilhar uma dúvida. Recentemente ouvi um comentário que me instigou a curiosidade em saber se existe algum estudo ou evidência científica que relacione o homossexualimo ou a homossexualidade com o autimo. Na verdade, achei o comentário preconceituoso , tendo em vista que há muito o que se descobrir ainda sobre o autismo e como bem diz a matéria, a questão da Orientação Sexual para pessoas com autismo é algo que ainda gera muitos tabus. Se tiverem algum material sobre isso, ficaria feliz em ler por aqui. Obrigada.

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