Glifosato causa autismo?
Suspeita de que agrotóxico cause o transtorno ainda não foi provada
Basta uma pesquisa rápida no Google para ver o quanto se comenta sobre a possível relação do glifosato com o desenvolvimento de autismo. O maior estudo já realizado sobre as causas do TEA revelou que os fatores ambientais são tão importantes quanto a genética para o desenvolvimento do transtorno. E enquanto os pesquisadores seguem trabalhando para desvendar a origem do autismo, muitas especulações aparecem no caminho.
Mas, antes de tudo, o que é o glifosato? Ele é o agrotóxico mais vendido no mundo atualmente. Na década de 1990, foram lançadas sementes transgênicas de soja, milho e algodão resistentes ao herbicida, ampliando muito o uso dele nas lavouras. No Brasil, há 110 produtos comercializados com glifosato, de 29 empresas diferentes, e só em 2017, cerca de 173 mil toneladas foram usadas no país.
Como todos os agrotóxicos, o glifosato é um produto químico com venda e uso regulamentado por lei para evitar que o produto prejudique a saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores e afete o equilíbrio ambiental. Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou que o glifosato seria um “provável causador” de câncer. No entanto, diversos órgãos reguladores – como a agência americana de proteção ambiental (EPA), a Comissão Europeia e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) – deram pareceres positivos para o uso do glifosato. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma reavaliação sobre o herbicida e afirmou que ele “não apresenta características mutagênicas e carcinogênicas”. No entanto, a comunidade científica ainda debate o nível seguro e os potenciais efeitos do consumo do glifosato, já que é cada vez mais comum encontrar traços deste agrotóxico nos alimentos, nos reservatórios de água e até nos animais.
Pesquisadora que relacionou glifosato e autismo não apresentou nenhum estudo
E, afinal, qual a relação do glifosato com o autismo? Tudo começou em 2014, quando Stephanie Seneff disse em um congresso que “o glifosato causará autismo em 50% das crianças até 2025”. Com PhD em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação, Stephanie Seneff é pesquisadora no Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
A afirmação de Seneff rapidamente ganhou a mídia, mas é importante entender os pontos delicados da argumentação dela. A pesquisadora mostrou um gráfico que alinhava o uso mais amplo do Roundup (produto com glifosato mais vendido no mundo) com a maior incidência de crianças com autismo, que passou de 1 em 5.000 em 1975 para 1 em 68 em 2014. Embora os dados sejam reais, Seneff não apresentou nenhum estudo comparando as taxas de diagnóstico de TEA em pessoas em contato com glifosato versus pessoas sem contato com o produto.
Tanto o uso do glifosato quanto os índices de autismo realmente aumentaram nos últimos anos, entretanto ainda não há respaldo científico da existência de uma relação de causa e efeito entre ambos. Além disso, é importante destacar que desde os anos 1970 os critérios de diagnóstico e os conhecimentos sobre o TEA evoluíram, permitindo detectar mais casos de autismo com maior eficiência do que antes. O portal do Dr. Dráuzio Varella fez uma análise detalhada de por quê a simples comparação de dois dados (aumento do uso de glifosato e aumento no número de diagnóticos de autismo) não é uma prova científica sólida para estabelecer uma relação de causa e efeito.
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Acessos:

Bem, não é sólido. Concordo. Contudo, é evidente e correlato. O que está em jogo é a próxima geração. Lembro bem quentinha o professor que dizia: na Europa, se quer tudo sem veneno porque eu quero com veneno? Na certa, sabe-se de algo que não sabemos. Isso parece o caso do airbag da Volkswagen.
está substância tendo haver ou não com o autismo o fato é que o número de casos no brasil cresceu alarmante mente, alguma coisa alimento que ingerimos foi modificada pelo homem
Havia um tempo que se indicava gestantes fumarem. Acho que as pesquisas tem que continuarem para o bem de todos e não apenas se limitar ao fato que estamos dando mais diagnósticos.