Vermes de Corda: uma falsa origem do autismo

3/07/2019 | Entendendo o TEA | 0 Comentários

Parasitas são mais uma fake news sobre o TEA

Há pouco tempo atrás analisamos os motivos científicos que provam que o MMS não é uma cura para o autismo, mas sim um composto químico altamente corrosivo proibido pela Anvisa de ser comercializado para fins terapêuticos. No entanto, os defensores desta e outras “curas milagrosas” alegam que esses supostos tratamentos são os únicos capazes de eliminar os vermes de corda, tidos por eles como a verdadeira causa do autismo.

Por mais que as pesquisas tenham avançado nos últimos anos, a origem do TEA ainda é desconhecida. Com isto, somado à facilidade de propagação de histórias falsas na internet, abre-se espaço para pessoas mal intencionadas se aproveitarem do desespero das famílias. E aqui está o cerne da questão: as teorias infundadas e fake news são a fachada para um esquema de venda de “remédios” alternativos, que no melhor dos cenários são apenas um desperdício de dinheiro. E, como já vimos no caso do MMS, muitas vezes os falsos tratamentos são produtos nocivos à saúde, que podem até matar.

“Descobridores” dos vermes de corda sequer são médicos

Mas o que então seriam os vermes de corda? Vários blogs e grupos do Facebook divulgam que os cientistas Dr. Nikolai Gubarev, da Rússia, e Dr. Alex Volinsky, dos EUA, descobriram os rope worms, que seriam um tipo novo de parasitas intestinais presentes nos seres humanos com sangue alcalino com pH entre 8 e 10. Estes vermes seriam responsáveis por desequilibrar o sistema imune, provocando assim os sintomas do TEA. Contada desta forma, a história ganha um verniz de credibilidade, mesmo sem apresentar nenhum dado científico real.

Em um artigo recente, o doutor em microbiologia e pesquisador da USP Luiz Gustavo de Almeida analisou as principais evidências de que os vermes de corda são uma história falsa. Além de destacar erros científicos (como a questão do sangue alcalino, já que o pH do sangue acima de 8 provoca morte por alcalose), Almeida pontua duas questões cruciais: os autores do estudo sequer são profissionais da área de saúde (um é engenheiro mecânico e o outro trabalha em segurança ocupacional) e um deles tem a patente de um enema de eucalipto, que é anunciado como a cura para diversos parasitas intestinais.

A falta de respaldo científico e os furos na história indicam que os vermes de corda são mais uma fraude criada para promover falsos remédios. Para evitar as fake news de saúde, não deixe de ver o post do Dr José Luiz Egydio Setúbal com dicas de como avaliar melhor as informações sobre autismo e uma lista de instituições que são fontes de conteúdo confiável.

Joana Portolese

Joana Portolese

Neuropsicóloga e pesquisadora associada ao Autismo e Realidade

Coordenadora da equipe multiprofissional do ambulatório de Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas

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