O desafio do banheiro

3/09/2019 | TEA no Dia a Dia | 0 Comentários

Crianças autistas costumam levar mais tempo para dominar o uso do banheiro

Uma das rotinas que podem ser desafiadores para as crianças autistas é ir ao banheiro. Um estudo conduzido dos pesquisadores Dalrymple e Ruble, publicado em 1992, revelou que, em média, as crianças com TEA precisam de 1,6 anos a mais de treinamento para aprender a fazer xixi e permanecer secas durante o dia todo. Em alguns casos, são necessários mais de 2 anos até o autista conseguir controlar o seu intestino.

Aprender a usar o banheiro vai além da questão prática do desfralde. É um dos primeiros grandes treinos de autonomia para o autista conquistar novas habilidades que o permitem cuidar de si próprio. Para ajudar nestes cenários, a nossa cartilha Treinamento para Usar o Banheiro explora as causas mais prováveis da dificuldade com o banheiro e apresenta algumas soluções para estabelecer uma rotina autônoma bem sucedida.

Cronograma visual é uma peça chave na inclusão de uma nova rotina para os autistas

Um dos principais empecilhos para a criança aprender a usar o banheiro está justamente nos déficits de linguagem presentes no TEA. A dificuldade de compreender instruções complexas e de traduzir as suas sensações pela fala costumam atrapalhar os indivíduos a sinalizar quando querem fazer xixi ou a memorizar a ordem correta das ações. O apego à rotina é outro traço da condição que prejudica o autista. Muitas crianças já internalizaram o uso da fralda e desenvolver um hábito todo novo toma tempo. O uso de banheiros em diferentes locais também pode ser confuso. Muitas crianças aprendem a usar o banheiro de casa, mas se recusam a usar o da escola, por exemplo. 

Para vencer essas barreiras é necessário um pouco de planejamento. Primeiro, os pais devem observar se os sons, cores, cheiros e texturas presentes no banheiro são fontes de incômodo. Por terem os sentidos “descalibrados”, as crianças no espectro autista podem ser hipersensíveis a alguns elementos que passam despercebidos para as outras pessoas. Aprenda as sensibilidades do seu filho e adapte o ambiente para ser o mais acolhedor dentro do possível. A segunda etapa é a criação de um cronograma visual. Como as pessoas com TEA pensam em imagens, ter todas as etapas de uma nova rotina descritas com fotos e instruções simples ajuda a criança a se preparar para a experiência. Desta forma, o desconhecido deixa de ser algo que gera medo.

Todos os cuidadores usar a mesma dinâmica e a mesma linguagem positiva

A última etapa é a manutenção do novo cronograma até o hábito ser incorporado de vez. A dinâmica deve ser repetida sempre da mesma forma e nos mesmos horários, e todos os cuidadores devem estar familiarizados com o cronograma visual. Além de seguir as etapas, é importante que todas as pessoas que trabalham com o seu filho também mantenham a mesma linguagem positiva e motivadora sobre o uso do banheiro. Com a repetição desta dinâmica, o autista vai aos poucos acumulando pequenas vitórias (que sempre devem ser elogiadas e recompensadas) até assimilar esta rotina. 

Mas se, mesmo após algumas semanas deste trabalho de adaptação, o seu filho não tiver feito progresso, é bom consultar um médico. A criança pode ter algum problema físico, como constipação, ou apenas pode precisar da ajuda de um profissional especializado. Existem psicólogos, educadores especiais, fonoaudiólogos, especialistas comportamentais e terapeutas ocupacionais que desenvolvem um treinamento intensivo de uso do banheiro. 

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