O que são as estereotipias?

12/09/2019 | Entendendo o TEA | 0 Comentários

Traço do autismo, movimentos repetitivos ajudam a pessoa a lidar com excesso de estímulos

Uma imagem muito associada ao autismo é de um indivíduo que se balança para frente e para trás sem nenhum motivo aparente. Mas o que pode parecer sem sentido para as pessoas neurotípicas (que não possuem transtornos mentais), é na verdade um comportamento que faz parte da vida no espectro autista, chamado de “estereotipia”. Este é o termo médico para ações repetitivas ou ritualísticas vindas do movimento, da postura ou da fala.

As estereotipias costumam acontecer em situações que o autista se sente bombardeado por estímulos, e as ações repetitivas ajudam a pessoa a se reorganizar internamente e processar tudo o que está sentindo. Há relatos de pacientes com TEA que entendem a estereotipia como algo prazeroso, que ajuda a acalmar, a concentrar e a aliviar a ansiedade.

Mesmo sendo algo benefício para os autistas, as estereotipias ainda causam muito estranhamento e dificultam o convívio social. Crianças e adolescentes com TEA costumam ser alvo de piadas e até sofrer bullying por causa destes movimentos. E, exatamente por destoarem do comportamento da maioria, é muito comum que as estereotipias sejam o traço que chama a atenção dos pais e faz as famílias buscarem médicos ou psicólogos a procura de um diagnóstico.

Estereotipias são comuns em outros distúrbio e até em pessoas neurotípicas

É importante ressaltar que estes movimentos estereotipados não são característicos apenas das pessoas com autismo. Eles podem se manifestar também em indivíduos com outros distúrbios (transtorno obsessivo compulsivo e síndrome de Tourette, entre outros). Até as pessoas neurotípicas podem apresentar tais ações repetitivas, como roer unhas e balançar as pernas. A única diferença é que os neurotípicos costumam ter um maior controle destes comportamentos.

Os movimentos repetitivos mais comuns de se observar no espectro autista envolvem:

  • balançar o corpo para frente e para trás
  • balançar as mãos (também conhecido como “flapping”)
  • bater os pés no chão ou em algum objeto próximo
  • girar objetos ou girar em volta do próprio corpo
  • cruzar e descruzar as pernas muitas vezes
  • fazer sons repetitivos ou repetir sílabas sem parar
  • estalar os dedos
  • roer unhas sem conseguir parar
  • pular no sofá sem controle de tempo ou força
  • pular na frente da TV enquanto assiste
  • correr, indo e vindo, sem um destino claro
  • andar nas pontas dos pés
  • movimentar os dedos na frente dos olhos

Tratamento de TEA ajuda a amenizar estereotipias para evitar prejuízos ao convívio social

Se por um lado as pessoas neurotípicas devem se esforçar para acolher as particularidades do autismo, especialistas também ressaltam que é importante observar as situações que despertam as estereotipias. Um dos problemas gerados pela alta frequência dos movimentos repetitivos é que, enquanto a pessoa com TEA está focada nestas ações, ela está respondendo apenas aos seus estímulos internos e deixa de interagir com o ambiente. Dessa forma, a estereotipia em excesso pode fazer o autista perder oportunidades de aprendizagem e contato social.

Para lidar com isso, o tratamento para TEA busca entender os gatilhos e modificar o significado das estereotipias. São diversas as estratégias que podem ser utilizadas pela equipe multidisciplicar, como a terapia com psicólogos, métodos de estimulação de linguagem com fonoterapeutas e a atenuação de condições associadas com o uso de medicação (como transtorno de ansiedade e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). O objetivo das intervenções não deve ser de cessar completamente com os movimentos repetitivos, mas sim de transformar os atos estereotipados em ações com uma finalidade ou função social.

Assim, esses métodos em conjunto auxiliam a pessoa com autismo a formar novas maneiras de se relacionar com o espaço e as pessoas que a cercam. É importante chamar a atenção de que estas intervenções são realizadas por etapas e sem pressa para que o paciente se sinta confortável e não se assuste com as mudanças. Uma intervenção súbita pode gerar um resultado contrário, criando uma sensação de aversão na pessoa com TEA e o aumento dos atos repetitivos.

 
 

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