Conquistando uma boa higiene bucal

24/09/2019TEA no Dia a Dia1 Comentário

Programação visual e passo a passo ajudam autistas a assimilar cuidados com dentes

A higiene bucal é outro aspecto que as crianças com TEA podem encontrar dificuldades. A nossa cartilha Guia de Treinamento para os Cuidados com os Dentes explica que, assim como acontece com algumas crianças neurotípicas, as autistas costumam achar desconfortável a sensação de escovar os dentes. Para lidar com isso, o recomendado é que elas passem por um processo de dessensibilização. Os primeiros passos envolvem usar a escova de dentes para tocar os lábios e a parte de dentro da boca, além de ensinar o seu filho a abrir a boca completamente.

Uma segunda etapa é aclimatar a criança com o ambiente do banheiro. Quando ela estiver confortável com os ruídos, a luminosidade e as texturas do local, é hora de ensinar o passo a passo da escovação. Comece demonstrando como você escova os seus dentes, deixando a criança ver como a escova toca a sua boca e quanto tempo cada parte deve ser escovada.

Quando for a hora da criança escovar os dentes sozinha, é importante deixar claro cada etapa que deve ser cumprida. O ideal é que cada parte da boca (as superfícies da frente e detrás dos dentes frontais e dos dentes do fundo, da arcada superior e da inferior) seja escovada 5 vezes. Algumas famílias acham útil utilizar um cronômetro para ajudar o indivíduo com TEA a entender quando a  tarefa acaba. Outra ferramenta útil é montar um planejamento visual com fotos dos elementos usados na hora de escovar os dentes e cada etapa que deve ser realizada.

Antes de ir ao dentista, converse com o profissional sobre autismo

Embora a maioria das pessoas escove os dentes no banheiro, para acomodar seu filho e acostumá-lo com a escovação, você pode fazer isso no sofá ou em qualquer outra parte da casa onde ele se sinta mais à vontade. Afinal, o objetivo é incentivar  seu filho a escovar os dentes da maneira mais independente possível. E depois da criança assimilar a rotina da escovação, vale repetir o passo a passo para ensiná-la a usar o fio dental.

Além da rotina em casa, a ida ao dentista é um momento delicado que merece um preparo especial. O melhor cenário é encontrar um dentista que tenha experiência em tratar indivíduos autistas. Peça indicações para a sua equipe multidisciplinar ou consulte a nossa página de Instituições de Apoio.

De qualquer maneira, é importante conversar com o dentista antes da consulta para informá-lo das particularidades do seu filho e os desafios que podem atrapalhar a experiência. É comum que crianças com TEA precisem de mais de uma consulta para realizar um exame odontológico completo. Também antes da consulta, vale organizar uma visita ao consultório para o seu filho conhecer o ambiente e os profissionais do local. Se possível, peça ao dentista mostrar os instrumentos para que a criança se familiarize com eles.

Durante a consulta, deixe o ambiente mais acolhedor

Em casa, além do planejamento visual, algumas famílias praticam os movimentos da consulta, como deitar com as mãos na altura de seu estômago e os pés em linha reta, manter a boca aberta por um período mais longo de tempo e levantar para cuspir.

No dia da consulta, é importante que o dentista guie a criança pelas etapas do exame, com instruções precisas. Ao saber o que vai acontecer, a criança vai se sentir mais tranquila e terá mais facilidade para colaborar. Negocie com o profissional para reduzir as luzes e desligar ruídos para que o ambiente fique mais acolhedor. Caso o paciente fique desconfortável, pare o procedimento e dê um tempo até que ele se sinta melhor. Ao final, elogie a criança pela sua colaboração no exame, apontando as etapas que ela cumpriu. Isso vai ajudar o autista a ganhar confiança para as próximas visitas.

1 Comentário

  1. MARIA HELENA PINHEIRO DA COSTA

    Sou dentista especialista em pacientes com deficiências, tenho quase 500 com autismo tratados desde 2001 e cerca de 95% deles em regime ambulatorial graças principalmente a equipe de médicos homeopatas do SUS-DF. Meus pacientes com autismo chegam com qualquer idade e quando há necessidade da intervenção da homeopatia para seus distúrbios comportamentais as melhoras se fazem nítidas principalmente quando também os problemas bucais são resolvidos. Uma coisa complementa a outra pois a homeopatia melhora a conduta do indivíduo com autismo frente ao tratamento odontológico e uma vez restabelecida sua saúde bucal o paciente estará apto a receber da terapêutica homeopática todos os benefícios inerentes a mesma como a redução de convulsões, bruxismo, baba, autolesão, agressividade, inquietude, falta de sono, apetite ou compulsão alimentar. nesses 9 anos temos alcançado ótimos resultados inclusive no controle comportamental de adolescentes e adultos. Recomendo enfaticamente a qualquer profissional dedicado às questões do AUTISMO que busque um parecer odontológico de seu paciente, aluno ou tutelado o quanto antes. Embora possa parecer banal, temos que lembrar que por diversos motivos, são 20 dentes que podem se deteriorar e doer na primeira dentição e 32 na segunda na boca de alguém com AUTISMO. Bastaria apenas 1 único dente com sintoma algico intenso para agir como gatilho agravando sintomas comportamentais de indivíduos com autismo que muitas vezes não sabe descrever ou perceber conscientemente seu incomodo. Não existe dor de dente silenciosa, existe sim, um silencioso com dor de dente que manifesta seu desespero da forma mais ou menos inconveniente para a família ou para seu cuidador. Descobri que entre meus pacientes mais de 75 % chegaram a meu consultório em situação de urgência e muitos dos pais/cuidadores jamais haviam pensado que a piora comportamental do filho se devia a uma questão dentária. Por isso alerto para que a saúde bucal não seja subestimada, caso contrário nenhuma medicação terá um efeito continuo e esse indivíduos polimedicado estará sob novos riscos.

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