TEACCH: uma abordagem aprofundada no tratamento do TEA

1/10/2019 | Diagnósticos e Tratamento | 0 Comentários

Programa americano adapta intervenções às características de cada paciente

Como falamos em outras áreas do site, o Transtorno do Espectro Autista não tem cura, mas possui tratamento. O objetivo das terapias é melhorar o quadro geral do indivíduo com autismo e, assim, aumentar sua qualidade de vida e o nível de independência dessa pessoa. O tratamento é baseado em terapia comportamental e medicação para condições associadas (como a risperidona, usada para tratar a ansiedade e agressividade). Na área de terapia comportamental, o foco é desenvolver a parte social, motora e adaptativa desses indivíduos e elas podem ser usadas exclusivamente ou em conjunto com outras, como ABA e o TEACHH.

Em 1972, o TEACCH Autism Program foi fundado pelo Dr. Eric Schopler, pesquisador em psicologia e psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte. Atualmente, o projeto inclui vários centros regionais na Carolina do Norte que fornecem serviços clínicos para pessoas com autismo de todas as idades.Com uma abordagem baseada na estreita colaboração entre pais e profissionais, o programa TEACCH se destaca por duas características: a adaptação das intervenções às características particulares do paciente e o uso de experiências de ensino estruturado.

Na intervenção TEACCH, as habilidades dos indivíduos são avaliadas por meio de testes padronizados. Os resultados da avaliação fornecerão a base para o desenvolvimento de um currículo que será consistente com as necessidades individuais de cada paciente. O componente de ensino estruturado requer que o ambiente e as atividades do indivíduo sejam organizados de maneira a otimizar o aprendizado e evitar a frustração.

Tratamento incentiva a atitude independente das orientações

Abordagem pode ser aplicada em centros de tratamento, escolas e em casa.Três fatores são essenciais neste contexto: organização do ambiente físico de uma forma que seja consistente com as necessidades do paciente (minimizando possíveis distrações, por exemplo), o arranjo de atividades de maneira previsível (como o uso de programações visuais da rotina diária), e a organização dos materiais e tarefas para promover a independência das orientações.

Já no lado do ensino estruturado, a abordagem é baseada na observação de traços do comportamento do indivíduo autista, que podem gerar dificuldades na vida em sociedade. Ou seja, a ideia central é compreender os efeitos das características do autismo na vida da pessoa com TEA e auxiliá-lo a buscar mais independência na sua rotina. O ensino estruturado vai concentrar esforços principalmente nos seguintes comportamentos:

  • Preferência pelo processamento de informação visual
  • Dificuldade com sequenciamento, integração, conexão ou derivação de detalhes
  • Alta variabilidade na atenção (indivíduos podem ser muito distraído às vezes e em outros momentos intensamente focados, com dificuldades de mudar a atenção de forma eficiente).
  • Problemas de comunicação, que variam em nível de desenvolvimento, mas sempre incluem deficiências na iniciação da comunicação e no uso social da linguagem.
  • Dificuldade com conceitos de tempo, como para reconhecer o início ou o fim de uma atividade, quanto tempo a atividade durará e quando será terminada.
  • Tendência a se apegar às rotinas (as interrupções podem ser vistas como algo desconfortável, confuso ou perturbador).
  • Impulso muito intenso para se envolver em atividades de interesse e dificuldades de desengate uma vez acionado.
  • Preferências e aversões sensoriais bem marcadas.
  • Dificuldades motoras principalmente com movimentos finos.

A abordagem é positiva, mas ainda não há consenso na intensidade adequada

Atualmente, o Programa de Autismo TEACCH da Universidade da Carolina do Norte oferece serviços clínicos, como avaliações diagnósticas, sessões de consulta familiar e grupos de apoio aos pais, grupos sociais de lazer e recreação, aconselhamento individual para pacientes com melhor desempenho. Além disso, o programa também realiza treinamento nacional e internacional e fornece consultoria para professores, prestadores de cuidados residenciais e outros profissionais de diversas disciplinas. As atividades de pesquisa incluem estudos psicológicos, educacionais e biomédicos.

Essas intervenções integrativas para crianças podem ser aplicadas em vários cenários e com intensidade diferente. Existem programas realizados por centros de tratamento, baseados em serviços dentro de casa, ou também praticados em escolas, tanto as com salas de aula integradas (com crianças típicas e autistas num mesmo ambiente) quanto em turmas especializadas em crianças com TEA.

A intensidade do tratamento pode ser definida pelo número horas de tratamento que a criança recebe por semana e, também, pela intensidade do treinamento, currículo, avaliação, planejamento e coordenação. No geral, tratamento aplicado envolve de 20 a 30 horas por semana durante 2 ou 3 anos.

Os artigos científicos recentes sugerem que o programa pode ter resultados significativamente positivos, mas ainda há poucas análises oficiais. Ou seja, ainda há uma necessidade de maiores estudos para saber como utilizar o programa e qual intensidade necessária (quantas horas por semana e por qual duração). Além do mais, é preciso avaliar as adaptações deveriam ser feitas pela mudança de hábitos quando se considera a aplicação do programa no Brasil e em outros países.

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