Dani e Gabriel: uma dupla dinâmica muito feliz

17/10/2019 | Histórias | 0 Comentários

Gêmeos impressionam pela memória e curiosidade e ensinam que a vida com TEA também é bela

A quantidade de tarefas na agenda dos irmãos Gabriel e Daniel, de 9 anos, lembra muito a rotina de um executivo, cheio de compromissos. Diagnosticados com autismo aos 18 meses, os gêmeos acordam cedo, passam a manhã entre as sessões de terapia comportamental, fono e acompanhamento pedagógico, e à tarde vão para a escolar regular, onde contam com um mediador na sala de aula.

“Nos finais de semana, a gente busca conciliar programas prazerosos de fazer em família com atividades que sejam boas para o desenvolvimento deles”, comenta a mãe, Mariana Azevedo. Além de organizar a agenda dos meninos, ela ressalta que é importante não deixar de cuidar de si. “A rotina é desgastante, cansativa, preocupante, e quando nós estamos com problema, eles percebem, ficam mais agitados. Por isso, a gente tem que encontrar um equilíbrio: precisamos estar bem para poder cuidar deles da melhor maneira possível”, complementa.

Os gêmeos fizeram parte da exposição Meu Super Herói, criada pelo Autismo e Realidade para homenagear o Dia Mundial do Autismo. Seus pais chamaram a atenção para as diferenças entre os garotos, que foram apelidados de Super Memória e Super Curioso. “O Dani tem uma memória visual incrível, ele decora o número de todos os lugares onde vamos. Ele também tem mais gosto por atividades físicas e passear, enquanto o Gabi é mais caseiro. O Gabriel tem um dom com tecnologia, adora eletrônicos, são as coisas que mais despertam a sua curiosidade”, conta o pai, Felipe Azevedo.

O apoio de outras famílias com crianças autistas foi essencial

Além desses super poderes, o casal comenta da habilidade dos filhos de ensinar para as pessoas que que a vida com TEA também é bela. “Foi um choque receber o diagnóstico, é algo que desestabiliza qualquer família. Todos os nossos sonhos para os meninos foram por água abaixo”, relembra Mariana. Aos poucos a família foi superando o luto e percebendo a alegria no dia a dia com os gêmeos. “Eles mostraram pra gente que as pequenas coisas têm valor, que as pequenas vitórias são muito importantes. Eles mudaram a nossa maneira de enxergar o mundo. Hoje dizemos para todo mundo: dá pra ser muito feliz com o autismo ”, conta Felipe. 

Além das dúvidas e da busca por informações, o mais difícil depois do diagnóstico foi a solidão. Mariana e Felipe não conheciam nenhuma outra família com filhos autistas. Também pesou que muitos amigos, e mesmo familiares, acabaram se afastando do casal. Com o tempo, eles se aproximaram de outras famílias de autistas. Mais que amigos, ganharam uma rede de apoio. “Uma coisa boa que o autismo trouxe foram os nossos amigos. Você pode ir na casa da pessoa e ficar à vontade, porque seu filho vai fazer uma bagunça, mas tá tudo bem. Ela sabe como é, o filho dela é assim também. É muito bom poder dividir a vida com pessoas que passam pelas mesmas questões, tudo fica mais leve”, explica Mariana.

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