Contornando os comportamentos problemáticos

24/10/2019 | TEA no Dia a Dia | 0 Comentários

A dificuldade de se expressar é uma das principais razões por trás das condutas desafiadoras dos autistas

A incapacidade de comunicar de modo adequado suas necessidades e desejos é um dos motivos mais comuns que levam as pessoas com TEA a exibir comportamentos problemáticos. No geral, a equipe multidisciplinar organiza uma rotina de terapias para contornar as condutas inadequadas, mas nem sempre dá para esperar a próxima sessão para entender o que fazer quando o autista tem uma crise.

A nossa cartilha Estratégias a Serem Usadas em Casa traz orientações para lidar com estas situações delicadas. O material destaca que, mesmo com o apoio da família e o tratamento adequado, é comum a pessoa com TEA apresentar durante momentos importantes de transição, como o início do ensino fundamental, da adolescência e mesmo da vida adulta. O principal objetivo para reduzir a frustração do autista, evitar a agressividade, e ajudá-lo a se comunicar de forma que os outros entendam. Seja verbalmente, por linguagem de sinais ou com o uso de dispositivos alternativos, como um aplicativo de mensagens.

Entender os gatilhos e as consequências é o primeiro passo na prevenção

Além de trabalhar a comunicação, é importante entender a raiz dos momentos problemáticos. Para isso, a cartilha detalha como os especialistas avaliam o comportamento de um autista. O objetivo aqui é identificar como o seu filho se beneficia da conduta desafiadora para então traçar uma forma de prevenir estas ações. No geral, a criança autista usa este tipo de comportamento para:

  • Evitar ou fugir de tarefas ou ordens;
  • Obter acesso a um item ou atividade favorita;
  • Atrair a atenção de outras pessoas;
  • Ou porque o comportamento em questão faz com que a criança se sinta bem.

Com isso em mente, o passo seguinte é identificar os antecedentes e as consequências da conduta desafiadora. Ao verificar o que acontece antes e depois do seu filho começar a gritar, por exemplo, você vai percebendo quais são os elementos que agem como gatilhos (um barulho inesperado, lugares apertados, etc) e o que interrompe esse comportamento. Aqui vem uma ressalva importante: nem toda consequência é positiva. Por exemplo, se quando o seu filho grita, ele ganha um chiclete e para de gritar, ele pode entender que gritar é uma forma eficiente de conseguir um chiclete. Aqui, o chiclete acaba agindo como um instrumento de reforço, que vai encorajar o ato de gritar.

Incentivar comportamentos positivos é o melhor caminho para reduzir as condutas problemáticas

Ao entender os gatilhos e consequências dos comportamentos desafiadores do seu filho, é hora de colocar em prática as estratégias para reduzir estas condutas. A cartilha ressalta que a melhor maneira de evitar o negativo é promovendo o positivo. Ou seja, se o seu filho é muito bagunçado, crie uma rotina de arrumação com ele. E é nessa hora que os instrumentos de reforço funcionam, como guloseimas e brinquedos, usados para facilitar que a criança compreenda qual o comportamento deve ter.

Alguns pontos que devem ser levados em consideração neste momento:

  • Os instrumentos de reforço devem ser coisas que o seu filho gosta muito mas é importante que ele tenha um acesso controlado, afinal um item perde o seu valor se está acessível o tempo todo;
  • Elogios podem ser poderosos instrumentos de reforço;
  • O reforço deve ser dado imediatamente após a criança ter o comportamento desejado;
  • Divida a conduta desejada em tarefas menores que você sabe que o seu filho consegue cumprir sozinho ou com pouca ajuda. Isso estimula a sensação de autonomia.

E, quando o treinamento das condutas positivas não funcionar, é importante pensar em como organizar um castigo eficaz. O principal a ter em mente é que devem ficar claros para a criança os motivos que a levaram ao castigo e, durante o processo, ela não deve receber atenção nem ter acesso a seus itens favoritos. Outras etapas de um castigo eficiente você pode ver aqui. 

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