A fada do cocô

9/12/2019TEA no Dia a Dia0 Comentários

Daiana Camilo relembra as dificuldades do desfralde da filha Manu

Recebo muito a pergunta “Com quantos anos a Manu desfraldou?” e eu não sei responder com exatidão, pois, foi um processo tão longo e cheio de etapas que fica difícil dizer: “Pronto, ela está desfraldada!”

Lembro que iniciei a primeira tentativa com 2 anos e 3 meses. No fundo, eu sabia que ela não estava pronta, mas todos os outros pais da creche estavam iniciando o desfralde e eu por orgulho não quis admitir que a Manu precisava de mais um tempo. Nessa época ainda não desconfiava do autismo, mas já sabia que tinha algo diferente nela. Na verdade eu não sabia o que era autismo nessa época.

Óbvio que foi um fracasso, e pior que admitir que ela não estava pronta para o desfralde, foi ter que colocar a fralda de volta e fingir que nada tinha acontecido!

Reiniciei as tentativas com mais ou menos com 2 anos e 8 meses, pouco depois do diagnóstico. Comecei em casa durante as férias, depois na escola, próxima fase foi no carro, depois em passeios curtos, depois na casa de amigos e parentes… Até que finalmente estava sem fraldas! O único processo simples foi a noturna, pois ela amanhecia seca. Acho que com uns 3 anos e meio a Manu estava de fato desfraldada. Claro, que ainda aconteciam alguns “acidentes”, pois era preciso lembrá-la de ir ao banheiro.

Ensinar a filha a controlar o xixi foi a parte mais fácil

Porém tinha mais um problema: o cocô. Ela sempre foi muito ressecada e tirar a fralda piorou esse quadro. Ela segurava muito, até que não aguentasse mais, e por medo nós colocávamos uma fralda para ela relaxar e conseguir evacuar.

A solução? A “Fada do Cocô”, uma adaptação da Fada do Dente que a Manu já conhecia. Criamos uma história onde a fada viria sempre que ela fizesse cocô no vaso e deixaria um prêmio para ela. Assim que ela ia ao banheiro, eu rapidamente escondia um doce ou mimo pela casa, e pegava o telefone para fingir que estava ligando para Fada. Quando ela terminava, iniciávamos a busca pelo prêmio.

Foi uma grande solução. A Manu continua ressecada, mas já não segura a vontade e até faz força para ir ao banheiro com uma maior frequência. Evacuar rapidamente se tornou normal e, apesar de ela ainda chamar pela Fada, já não cobra sua recompensa.

Bom, espero que essa ideia ajude ou inspire alguém, pois aqui foi uma ótima solução!

Daiana de Souza Camilo

Daiana de Souza Camilo

Mãe da Manu, faz cursos de Intervenções Precoces no Autismo e de Terapia ABA. Daiana e o marido Dione Ribeiro Camilo são autores do perfil no Instagram @mundo_da_manu_tea

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