O típico não tão típico assim

20/02/2020Histórias1 Comentário

Darline comenta dos cuidados necessários com o irmão da criança autista

Chegou a vez de falar do irmão da criança especial. O impacto do diagnóstico afeta os pais – e muitos chegam a passar por período de luto – mas também tem um impacto importante no irmão, que assim como o resto da família, vai ter que participar de uma rotina adaptada às particularidades do filho com TEA. Desde que confirmamos que o Carlo estava no espectro autista, várias pessoas me diziam: “Cuide do seu filho mais velho, porque o Carlo, com o tratamento adequado, vai deslanchar, e você tem que dar atenção  para o irmão também”.

Há mais ou menos um ano começamos um trabalho para ajudar o Pietro a desvincular um pouco do irmão, fazendo programas só com ele ou incentivando os seus interesses pessoais. Mas a vida dele ainda orbita bastante em volta do irmão caçula. A relação dos dois é uma relação normal de irmãos, com momentos de muito amor e outros de briga. Mas a gente percebe que o Pietro tem uma preocupação intensa com o bem estar do Carlo. Isso é algo tão internalizado, que ele já começou a demonstrar alguns sinais físicos de estresse, como uma eczema atópica na pele. Fomos atrás de tratamento, mas ainda não teve melhoras.

E se cuidar de uma pessoa com TEA pode ser pesado para nós adultos, para uma criança é bem pior. Fico com a impressão que o Pietro sente uma cobrança muito grande, uma urgência em ajudar e uma responsabilidade enorme, mesmo sem que eu e o pai dele tenhamos passado essa carga emocional pra ele.

Nos resta aqui estarmos atentos ao Pietro e seguir fazendo alguns programas separados – embora ele não queira ir sem o irmão – para aliviar o peso da rotina. A minha vontade é dizer pra ele todo dia : “Filho, você está crescendo muito rápido e isso nos assusta, você ama demais o seu irmão e eu reconheço a sua luta”.

Darline Locatelli Renault de Castro

Darline Locatelli Renault de Castro

Mãe de dois filhos, Carlo e Pietro, formada em direito e gastronomia, atualmente se dedica a auxiliar na informação e conhecimento acerca do tema TEA

1 Comentário

  1. Juliana

    Olá, eu tb tenho dois filhos. Um deles está no espectro e o outro não. Procuro dar atenção aos dois, mas nem sempre é fácil.

    Responder

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