Os manuais que definem o autismo

18/03/2020Diagnóstico0 Comentários

CID e DSM são referências para profissionais em todo o mundo sobre definição e tratamento do TEA

Quando se fala sobre o diagnóstico de autismo, geralmente se citam duas siglas, o DSM e o CID. Ambos são manuais que reúnem as classificações de doenças e são referências para profissionais de saúde em todo o mundo.

No âmbito da saúde mental, o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais) costuma ser o mais utilizado.  As classificações são feitas com base inicial na Associação Americana de Psiquiatria e descreve categorias de transtornos mentais, com seus respectivos critérios diagnósticos. Existem cinco revisões para o DSM desde a ocorrência da sua primeira publicação, em 1952.

Lançada em 2013, a versão mais atual, o DSM-5, foi o primeiro documento oficial a redefinir o diagnóstico do autismo, criando o conceito do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A criação deste diagnóstico único veio após muita discussão entre pesquisadores, médicos e cuidadores de que diversos distúrbios – como o Autismo de Alto Funcionamento, Autismo Clássico, Autismo Infantil, Autismo Atípico, Síndrome de Asperger, Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação e Transtorno Desintegrativo da Infância – na verdade compartilhavam sintomas e se diferenciam apenas pela intensidade com que estes traços se apresentam em cada indivíduo.

Ao contrário do DSM, o CID abrange todas as doenças e transtornos conhecidos

Mas se o DSM estabeleceu em 2013 que uma pessoa fazia parte do espectro autista caso apresentasse dificuldades na comunicação social e na interação social e comportamentos restritivos, o CID foi adotar esta classificação apenas em 2018.

A demora tem uma razão prática: enquanto o DSM se dedica aos transtornos mentais, o CID (sigla para Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) detalha definições de doenças e transtornos de todos os campos da saúde, sendo uma referência para médicos em todo o mundo. O CID é, por exemplo, usado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os planos de saúde para organizar procedimentos e exames correspondentes a cada doença e condição.

Organizado pela Organização Mundial de Saúde, a última edição do CID levou mais de uma década para ser feita, recebendo mais de 10 mil propostas de revisão. Em 2018, o CID-11 foi apresentado de forma preliminar e passa a valer em todo o mundo a partir de 1º de Janeiro de 2022.

O CID-11 adotou a definição de TEA, lançada no DSM-5

Enquanto o CID-10, lançado em 1990, continha por volta de 14.400 códigos de lesões, doenças e causas de morte, o CID-11 conta com cerca de 55 mil códigos. Esta ampliação aconteceu para que o manual englobasse novos capítulos e classificações, ausentes na versão anterior, como medicina tradicional, saúde sexual, o transtorno dos jogos eletrônicos, entre outros.

Nesta atualização, então, o CID-11 se igualou ao DSM-5 adotando a classificação do Transtorno do Espectro Autista. Os códigos de Transtornos globais do desenvolvimento (F84), utilizados no CID-10, foram substituídos pelos do TEA (6A02). E seguindo a lógica dos níveis dentro do espectro, as subdivisões da condição passaram a ser definidas pela existência de prejuízos na linguagem funcional e de deficiência intelectual.

Desta forma, foi criado um consenso na comunidade médica e científica sobre o autismo, garantindo que pessoas dentro do espectro em todo mundo recebam diagnósticos e tratamentos baseados nos mesmo conceitos. 

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