Problemas alimentares no Transtorno do Espectro do Autista

22/05/2020Saúde & Diagnóstico5 Comentários

Dinâmica familiar e nutrição infantil podem ser prejudicadas por restrições na escolha de alimentos

Crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam dificuldades em relação à escolha dos alimentos e à dinâmica dos momentos de refeição. Estima-se que estes problemas afetem de 45% a 75% delas. 

As questões em torno das escolhas alimentares merecem destaque, pois, se mal administradas ou não tratadas, tornam-se crônicas, afetam a dinâmica familiar e podem provocar problemas nutricionais. Crianças com TEA são mais restritivas em relação à categoria e às texturas dos alimentos e apresentam uma maior incidência de recusa alimentar. As dificuldades sensoriais com sabores e cheiros e a dificuldade de incluir novos alimentos na dieta também são comuns.  

Restrição pode fazer crianças com TEA consumirem não mais que 20 alimentos diferentes

Pais e mães costumam relatar um menor repertório de alimentos. Algumas demonstram extrema seletividade, com menos de 20 alimentos no repertório alimentar. Além disso, pode haver desejo persistente de comer sempre a mesma coisa, assim como preferência por determinadas apresentações. A fixação em determinados utensílios, marcas e embalagens também ocorre com frequência. Esses problemas costumam não ser transitórios e requerem um longo tempo de acompanhamento e suporte para os pais. 

Problemas relacionados à socialização dificultam o ato de comer em grupo e tornam o aprendizado por imitação mais difícil. A inflexibilidade faz com que muitas crianças fiquem profundamente angustiadas com pequenas mudanças no ambiente e insistam em seguir rotinas detalhadas, que podem ser disfuncionais e caracterizar rituais que afetam as atividades diárias mais simples, a exemplo da alimentação.

Para algumas crianças com TEA, permanecer à mesa pode ser um desafio na hora de se alimentar

A respeito do momento da refeição, pode haver dificuldade em permanecer sentado à mesa e em comer com a família. Podem ocorrer também comportamentos disruptivos, que dificultam toda a dinâmica em torno da alimentação. Menos comum, porém prevalentes, seriam as alterações de motricidade oral, dificuldades com a ingestão de remédios e a retenção de alimentos na boca por períodos prolongados. A combinação de problemas orgânicos aliados aos problemas alimentares pode conduzir a um prognóstico ruim sob o ponto de vista nutricional, causando déficits, excesso de peso e até obesidade em alguns casos.

Claudia de Cássia Ramos

Claudia de Cássia Ramos

Formada em Fonoaudiologia pela PUC, especialista em Dificuldades Alimentares e mestrado em Educação e Saúde na Infância e Adolescência pela UNIFESP. Fonoaudióloga do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI – Hospital Infantil Sabará/Fundação José Luiz Egydio Setúbal

5 Comentários

  1. o meu filho faz tres anos em dezembro ja passou por dois neuros os mesmo dizem que ele tem autismo é muito complicado pq nao fecham o dianostico nao posso trabalhar ele nao fala e come somente biscoito arroz e ovo e ama suco.

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  2. Boa tarde!

    Sou pedagoga e trabalho como pedagoga da alimentação saudável na escola, e estamos com um índice muito grande de alunos com TEA com problema na alimentação. Gostaria de saber se vocês tem alguma cartilha com esse tema.

    Desde já agradeço.

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  3. Meu filho de 11 anos apresenta dificuldade desde a introdução alimentar. Não aceita alimentos com consistência macia ou pastosa, seletividade alimentar extrema ( diversidade alimentar sofrível!), olfato super aguçado!
    Não sei mais o que fazer!!

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  4. Meu filho e autista, tem 15 anos e não fala

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