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Equoterapia para autistas

22/10/2021Desenvolvimento & Intervenção8 Comentários

Método aplica técnicas das áreas da saúde, educação e equitação para potencializar o desenvolvimento biopsicossocial

Equoterapia, também conhecida como terapia assistida por cavalos, é um método terapêutico que utiliza cavalos para buscar o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais. Tal método utiliza as técnicas da área da saúde, educação e equitação, se enquadrando em um tratamento com diversas comprovações de eficácia.

A utilização do cavalo se divide em quatro atos. O primeiro é chamado de hipoterapia, que utiliza a oscilação do cavalgar para alterar estados psicológicos e físicos. Essa modalidade geralmente é escolhida quando o participante não tem autonomia, e necessita do auxílio constante do terapeuta.
O próximo é chamado de reeducação equestre, no qual o terapeuta realiza alterações posturais promovendo a reabilitação motora e mental. Ao utilizar o comportamento natural do participante em conjunto com as ações do cavalo é possível melhorar os tempos de reação e atenção do paciente.

Entre os ganhos da equoterapia, estão melhora na postura e aumento do controle de reações no dia a dia

Também é possível melhorar a capacidade executiva, ou seja, a capacidade do cérebro de controlar os pensamentos e ações em relação aos acontecimentos da vida, como conflitos ou distrações. A reeducação equestre também auxilia o participante na discriminação espacial em relação a direção, distância e alinhamento postural.

O terceiro ato do tratamento chama-se pré-esporte, ou seja, início do aprendizado das técnicas de atividade de equitação, que contribui com a inserção social dos autistas, por desenvolver a reciprocidade socioemocional.

O cavalo é utilizado como uma fonte cinésia-terapêutica, ou seja, um instrumento usado para terapias que opera com a análise dos movimentos. Tem indicação para autistas e outros transtornos com alterações psicossociais como déficit de atenção e hiperatividade e alterações comportamentais.

Andar a cavalo estimula movimentos de adaptação e cria sensação de proximidade com outro ser

Com autistas, o primeiro desafio é criar uma aproximação socioemocional com o terapeuta, que utiliza diversas técnicas para estabelecer um vínculo gradualmente. À medida que a terapia se estende, o autista treina a interação social, a percepção, a iniciativa própria e a obediência a ordens.

Movimento tridimensional do cavalo

Segundo Wickert, especialista em equoterapia, o cavalo é o único animal que transmite o movimento tridimensional. Ao se movimentar, o cavalo transmite através de seu dorso uma sequência do que chamamos de ajustes tônicos, que são movimentos automáticos de adaptação.

Esses ajustes são transmitidos por três direções diferentes, por isso tridimensional, para frente, para trás, para os lados, para cima e para baixo. Esse movimento pode ser comparado com a ação da pelve humana ao andar.

Essa movimentação estimula o cérebro e viabiliza exercícios da musculatura, intercalando alongamentos e contrações pela busca do equilíbrio. A sensação de montar um cavalo expõe o autista a uma percepção nova de estar tão próximo de um ser vivo consideravelmente maior em porte e altura consideravelmente.

Cavalgar atinge objetivos terapêuticos de uma forma leve e lúdica

O cavalo é um animal dócil, que aceita as pessoas do jeito que elas são. Essa aceitação é percebida pelos autistas, que se sentem à vontade com essa aceitação. Outro fator é que a alegria em montar transforma o momento terapêutico em algo leve e lúdico. Todas essas oportunidades estimulam a espontaneidade e autoconfiança dos participantes.

Outro fator estimulado é a interação social, de maneira que ao longo das sessões o participante é treinado para comandar o cavalo e ter participação ativa no processo. Sendo assim, em cada sessão o autista é incentivado a interagir com o meio ambiente, principal dificuldade principal ocasionada pelo transtorno.

Yasmine Martins

Yasmine Martins

Psicóloga Clínica formada pelo Centro Universitário São Camilo, com Especialização em Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), aprimoramento em Psicologia Hospitalar e mestrado em Ciências da Saúde Infantil no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (IAMSPE).

8 Comentários

  1. Muito bom este texto. Estou a escrever uma narrativa para fins de publicação e há um momento, no enredo, em que a personagem principal faz uma comparação entre a equoterapia e o fato de estar sentado àquela primeira cadeira, à direita dos coletivos, voltada para o público prioritário – inclusive pessoas com deficiência e/ou autismo. Ao meu ver, parece haver algo em comum entre os dois passeios: a visão panorâmica, o passeio, interações com seres e com o seu próprio corpo, já que no ônibus a parte de equilíbrio também se faz necessário desenvolver, tato para se segurar nas barras de apoio. Afinal, há uma sensação agradável que é difícil expressar por palavras. Farei um pequeno paralelo entre a equoterapia e o passeio a ônibus. Como se fosse uma citação. Farei as referências bibliográfica ao fim do livro cuja essência é literária, mas que a pesquisa científica foi necessária para que haja coerência e verossimilhança. Abraço e parabéns!!!

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  2. Muito bom o conteúdo da matéria. Sou enfermeira trabalhei até o ano passado no Instituto Pensi , tenho um grupo de mães autistas que toda sexta convido profissionais para tirarem dúvidas delas online. Gostaria de saber se há possibilidade de algum profissional falar sobre este assunto com elas, pois não é muito comentado e pelo que dei pesquisada existe lugares gratuitos. Nossos encontros acontecem toda sexta ás 20:00 horas pelo MEET, trabalho voluntário. Obrigada.

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  3. como conceguir equoterapia para minha menina autista ela tem 4 anos somos de Sao paulo

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  4. Sou médica, já trabalhei durante a faculdade de medicina com equoterapia para crianças autistas.

    Fiquei interessada, com a colaboração de vários profisionais, em criar uma escola de equitação em Londrina, com parceria com a hípica daqui.

    Não tenho o projeto ainda, me interessou porque sempre fiz equitação, mas poderia ver a possibilidade de fazer uma pareceria com a hípica daqui, com patrocínios para a montagem e realização do projeto.

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  5. Olá, gostei muito do artigo. Pretendo pesquisar mais sobre o tema. Estou terminando meu estagio em Musicoterapia e participo das sessões terapeuticas de Fisioterapia na Equoterapia. Tem sido uma experiência maravilhosa!! Gostaria se for possível de indicação de livros ou artigos que fale mais sobre o tema.
    Grata,

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  6. Amei participar

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  7. Olá me chamo Lucilene e tenho um filho autista de 4 anos,Davi tivemos a indicação do psiquiatra pra ele fazer a equoterapia, mais não temos condições financeira, gostaria de saber se consigo fazer a inscrição para gratuidade

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  8. Olá me chamo Francinne, sou altista do nível um e gostaria de levar duas companhias comigo minha mãe e nossa visinha para esse passeio a cavalo a minha mãe nso e altista e nem a nossa visinha só eu mesma. Moramos em Florianópolis no centro da Vidal Ramos 224 o nosso ape e: 606 e o dela é 604. Há os cavalos devem serem marcos tá.

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