O que é Transtorno Global do Desenvolvimento e qual a sua relação com o autismo?

18/02/2022TEA no Dia a Dia0 Comentários

Referência global em transtornos mentais, versão mais recente do DSM atualizou diagnósticos; entenda

Os profissionais da área de saúde utilizam o Manual Diagnóstico e Estatístico, também chamado de DSM, para diagnosticar transtornos mentais. Conhecido como a bíblia da psiquiatria moderna, o material está em sua quinta edição e contém uma série de critérios importantes.

Os transtornos de ordem mental na infância são classificados em categorias, como transtornos de humor, de desenvolvimento, psicóticos, de movimento e assim por diante. O transtorno global do desenvolvimento, como o próprio nome diz, caracteriza uma condição na qual as funções do desenvolvimento são afetadas.

Em seu livro sobre a psicofarmacologia da criança, Mercadante e Scahill (2005) afirmam que os transtornos mentais da infância e da adolescência afetam em torno de 20% das crianças e jovens com idade menor a 18 anos.

DSM atual considera como autismo todas as síndromes anteriormente listadas como parte do Transtorno Global do Desenvolvimento

De acordo com DSM-IV (a versão anterior à atual), em vigor entre 1994 e 2013, o transtorno global do desenvolvimento contém subgrupos diagnósticos como a Síndrome de Rett, o Transtorno do Espectro Autista, a Síndrome de Asperger e a Síndrome de Heller.

Com o lançamento do DSM-V, o termo “transtorno global do desenvolvimento” não foi mais utilizado e todas as síndromes anteriores citadas como subgrupos agora abrangem os critérios para o autismo.

Portanto, se seu filho(a) foi diagnosticado(a) com uma dessas condições entre 1994 a 2013, o profissional utilizou alguns dos seguintes critérios abaixo para fechar a condição do transtorno identificado.

Entenda cada uma dos diagnósticos que hoje são compreendidos como autismo

Síndrome de Rett: pouco contato visual, queda do interesse por brinquedos, atrasos para sentar ou engatinhar, perda das habilidades manuais voluntárias e da linguagem falada, convulsões e impossibilidade de executar movimentos coordenados – caminhar e escrever (sintoma chamado de apraxia).

Transtorno do Espectro Autista: condição que traz prejuízo qualitativo na interação social e comunicação, com a presença de comportamentos restritivos, repetitivos e estereotipados. A manifestação ocorre antes dos três anos de idade. Em suma, o autista é aquele sujeito voltado apenas para si mesmo.

Antes um diagnóstico em separado, Síndrome de Asperger também passa a ser considerado autismo

Síndrome de Asperger: necessidade de criar rotinas fixas, interesses muito específicos e intensos (podendo desenvolver habilidades geniais em determinadas áreas), pouca paciência, instabilidade emocional, descoordenação motora e hipersensibilidade a estímulos.

Síndrome de Heller: também conhecido como transtorno desintegrativo da infância, é uma condição na qual a criança regride o seu desenvolvimento por volta dos dois anos ou mais. Entre os sinais, estão dificuldade em usar palavras já conhecidas, perda de autonomia, perda de controle intestinal, perda de interesse pelas atividades sociais que costumava fazer, perda das capacidades motoras, como correr e segurar objetos, e isolamento.

É sempre bom lembrar: o autismo se manifesta de forma única em cada pessoa

Os termos síndrome e transtorno são regularmente utilizados, sendo assim, é interessante esclarecer que síndrome se refere a um conjunto de sintomas e sinais, não restrito a uma doença. Já o transtorno tem sua aplicação para designar um conjunto de comportamentos ou sintomas que ocorrem durante a infância com atraso ou comprometimento no desenvolvimento.

É importante ressaltar também que não existe um único padrão de autismo ou Síndrome de Asperger, há variações na estrutura do cérebro social que implicam em maneiras de funcionar distintas, ainda que todos tenham dificuldades na sociabilidade e comunicação, cada autista tem a sua maneira de viver e agir.

Yasmine Martins

Yasmine Martins

Psicóloga Clínica formada pelo Centro Universitário São Camilo, com Especialização em Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), aprimoramento em Psicologia Hospitalar e mestrado em Ciências da Saúde Infantil no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (IAMSPE).

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