Como as brincadeiras de raciocínio lógico podem ajudar os autistas?

24/06/2022Família, Escola & Sociedade6 Comentários

Brincar de slime, sudoku e batalha naval, por exemplo, podem contribuir para o rendimento acadêmico de pessoas com autismo

O autismo não é um transtorno que afeta o desenvolvimento cognitivo das pessoas. Em outras palavras, isso quer dizer que o perfil funcional e intelectual dos autistas permanece intacto.

Podemos observar diferenças no rendimento intelectual dos autistas, mas isso pode acontecer por diversos fatores, como o ambiente, a metodologia aplicada nos tratamentos que recebe, e até mesmo causa de problemas familiares, emocionais ou questões relativas à maturidade.

O autista pode, por exemplo, enfrentar dificuldades para desenvolver suas habilidades acadêmicas por causa de restrições de interação social e comunicação interpessoal, que são características do transtorno. Estar em sala de aula e permanecer estudando requer um certo nível de empatia, interesse pelo externo e comunicação – justamente o que o autismo pode afetar.

Atividades ajudam a organizar o pensamento e estreitar vínculos dos autistas

Nos casos citados acima, brincadeiras de raciocínio lógico podem ajudar muito os autistas, porque funcionam como um treinamento de vínculo, de comunicação e despertar um interesse que vai além de si mesmo. E, claro, também fortalecem a racionalidade, o senso lógico e a estratégia.

As atividades de raciocínio lógico estimulam a organização dos pensamentos. Para solucionar um jogo, por exemplo, a criança usa um conjunto de habilidades como psicomotricidade, linguagem, memória, foco, percepção auditiva, atenção e capacidade adaptativa.

Mímica, jogos de memória e de tabuleiro estão na lista de brincadeiras recomendadas

Todas essas habilidades auxiliam na rotina da criança, para que ela possa resolver alguns de seus desafios sem o auxílio de adultos, como amarrar os cadarços, escovar os dentes, escolher sua roupa e assim por diante.

Elas também desenvolvem a tomada de decisões: a criança passa a saber que determinada brincadeira pode machucar, aprende a esperar a sua vez e segue combinados na escola ou em casa, por exemplo.

Portanto, vá em frente e estimule seu filho(a) com algumas das seguintes brincadeiras: massinha de modelar, slime, quebra-cabeça, jogos de memória, monta-monta, jogos de tabuleiro, jogos de sequência lógica, mímica, batalha naval, sudoku, alinhavo e associação de imagens com palavras.

Yasmine Martins

Yasmine Martins

Psicóloga Clínica formada pelo Centro Universitário São Camilo, com especialização em Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), aprimoramento em Psicologia Hospitalar e mestrado em Ciências da Saúde Infantil no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (IAMSPE). É doutoranda em Saúde Baseada em Evidências na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

6 Comentários

  1. Boa noite eu gostaria receber informações sobre brincadeiras, jogos atividade.

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  2. Muito importante e esclarecedor , as vezes , faltam informações para o ludico do dia a dia.

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  3. Gostei bastante do texto. Ótimas dicas. Obrigada Yasmine

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  4. Olá, gostaria de esclarecer um ponto sobre a informação inicial do texto, referente ao autismo afetar ou não a cognição. Nos casos leves, geralmente não existe prejuízo intelectual, mas nos casos de moderado a grave existe prejuízo cognitivo de leve a acentuado. Portanto, não é correto dizer que o autismo não afeta o desenvolvimento cognitivo.

    Outro ponto de equívoco no texto se refere aos motivos associados às possíveis dificuldades de rendimento intelectual, que foram atribuídas basicamente ao ambiente, metodologia, problemas emocionais/psicológicos ou familiares. São todos fatores externos e que costumam ser observados pela área de Psicologia em se tratando de crianças típicas, ou seja, não autistas. Porém, quando falamos de autismo, esse tipo de interpretação das dificuldades desse público é não apenas equivocado, como perigoso.

    Um dos aspectos mais importantes sobre o autismo sequer foi mencionado, que é como o fator interno/biológico próprio do transtorno afeta o rendimento. Olhar apenas para fatores externos é o que a Psicologia faz porque a Psicologia foi desenvolvida com base em pessoas não autistas. Sendo o autismo um transtorno neuropsiquiátrico, no entanto, só será possível compreender os desafios da condição se houver uma boa base de conhecimento de outras áreas, que são a neurologia e a psiquiatria.

    Muitas vezes, apenas a medicação neuropsiquiátrica conseguirá ajudar a pessoa autista a abrandar suas dificuldades. É um equívoco sério comum que o psicólogo insista em terapias e intervenções apenas comportamentais, por acreditar que as causas das dificuldades são como as citadas nessa publicação, quando o problema está, na verdade, na desregulação neuroquímica do cérebro que somente a medicação é capaz de regular. A irritabilidade, agressividade, crise emocional e desatenção, por exemplo, não são, na maioria das vezes, causadas por algo no ambiente ou na família, e sim pela própria química e configuração cerebral. Há inúmeros relatos de pacientes autistas que passaram anos em terapias infrutíferas para tratar essas questões, com alto prejuízo social, escolar e de desenvolvimento, para finalmente verem tais aspectos controlados apenas quando passaram a fazer uso de medicação. É alarmante o nível de desinformação sobre o autismo dentre os profissionais da Psicologia.

    Tratar o autista sem conhecer o autismo é acrescentar ainda mais dificuldades à vida de alguém que já tem muita luta no dia a dia, e agravar o quadro, muitas vezes.

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  5. Oie o meu filho é autista nível 1 mas tá com dificuldade com raciocínio lógico e na leitura eu não tá sabendo como ajudar

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  6. Muito bom, está ajudando muito todo o conhecimento que você compartilha.

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