Setembro amarelo, o mês de prevenção ao suicídio

23/09/2022TEA no Dia a Dia0 Comentários

Só no Brasil, três pessoas tiram a própria vida a cada duas horas. Em 2019, o número é de um milhão em todo o mundo

Setembro é o mês em que, no Brasil, é organizada a campanha de prevenção ao suicídio. Apenas no ano de 2019, foram registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, de acordo com a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS),  Se considerada a subnotificação, estima-se que naquele ano houve mais de um milhão de casos.

No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano. Ou seja, cerca de 38 pessoas cometem suicídio por dia. São três mortes a cada duas horas.

Setembro Amarelo é a principal campanha do planeta contra o estigma em torno do suicídio

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza, em território nacional, a campanha ‘Setembro Amarelo’. 

O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa acontece ao longo de todo o mês. 

Atualmente, o ‘Setembro Amarelo’ é a maior campanha antiestigma do mundo, segundo o próprio site da iniciativa. Em 2022, o lema é “A vida é a melhor escolha!” e diversas ações já foram desenvolvidas. Leia mais informações aqui: https://www.setembroamarelo.com/ 

Ampliar a conscientização do suicídio e romper o tabu sobre o tema pode salvar vidas

O tema de suicídio ainda é visto como um tabu e, portanto, dado como um tema de difícil debate. É necessário falar sobre o assunto para aumentar a conscientização. 

É sabido que a grande maioria dos casos de suicídio está relacionado a transtornos depressivos ou outros transtornos psiquiátricos, como transtorno bipolar ou esquizofrenia. 

Depressão é uma doença e precisa ser acompanhada e tratada. Por isso, é necessário que a conscientização leve ao aumento da procura por ajuda e aumento dos índices de tratamento.

Está disponível na internet, neste link, uma cartinha do Conselho Federal de Medicina sobre suicídio, chamada “Suicídio, informando para prevenir”.

Artigo aponta que autistas popularmente conhecidos como “leves” são mais propensos a depressão e pensamentos suicidas

Um artigo publicado pela The Lancet –uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo e descrita como uma das mais prestigiadas – discorre sobre o suicídio entre autistas (confira aqui a íntegra do artigo, em inglês). Mais especificamente, o artigo ainda usa a classificação antiga, fazendo referência a síndrome de Asperger, autismo de nível 1 de suporte, ou popularmente conhecida espectro leve do Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Segundo este artigo, a síndrome de Asperger na idade adulta é frequentemente associada à depressão, mas poucos estudos exploram realmente a experiência de vida de ideação suicida e planos ou tentativas de suicídio nesse grupo.

No estudo, entre as pessoas que foram diagnosticados com síndrome de Asperger no período, 66% relataram ideação suicida, 35% relataram planos ou tentativas de suicídio e 31% relataram depressão. Adultos com síndrome de Asperger foram significativamente mais propensos a relatar experiência de vida de ideação suicida do que indivíduos de uma amostra geral da população estudada.

Se você se sentir mais triste que o habitual e sem vontade de realizar tarefas do dia a dia, procure ajuda 

Dessa forma, notamos que a depressão é um importante fator de risco potencial para suicídio em adultos também nas pessoas com TEA. 

Além disso, como os adultos com TEA geralmente têm muitos fatores de risco para depressão como uma comorbidade associada ao transtorno, isolamento ou exclusão social e desemprego, os achados do estudo enfatizam a necessidade de planejamento e suporte de serviços adequados para reduzir o risco nesse grupo. 

Novamente, voltamos ao assunto que é necessário quebrar o tabu e falar sobre depressão para aumentar os índices de tratamento e prevenir o suicídio, assim como é a meta do ‘Setembro Amarelo’. Se você se sentir mais triste que o habitual diariamente, ou sem vontade de realizar qualquer tarefa do dia-a-dia, procure ajuda! Saúde mental é tão importante quanto a saúde física.

Bárbara Bertaglia

Bárbara Bertaglia

Médica residente na pediatria da Santa Casa de São Paulo, pesquisadora na área de Transtorno do Espectro Autista e membro da equipe Autismo e Realidade desde 2019

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.