Como manter a segurança em crises agressivas?

21/12/2023TEA no Dia a Dia0 Comentários

Pessoas com autismo podem ter colapsos nervosos causados por alterações sensoriais

‌Indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem, ocasionalmente, ter colapsos, configurados por uma perda temporária de controle emocional. Existem protocolos de gerenciamento de crises como o SCA (Segurança em Crises Agressivas), o PSCA (Protocolo de Segurança em Crises Agressivas) e o PCM (Sistema de Gerenciamento de Crises Humanizado). Cada um desses protocolos capacita profissionais que trabalham com indivíduos com TEA, deficiência intelectual ou pessoas com transtornos psiquiátricos. Eles têm o objetivo de instruir sobre a prevenção e o gerenciamento de crises comportamentais de maneira segura e estável.

Os interessados no tema devem ser inicialmente orientados sobre as etapas do ciclo das crises agressivas, que popularmente também são conhecidas como meltdowns. A princípio, o sujeito apresenta um comportamento estável, de acordo com as alterações do ambiente externo ou interno – há a possibilidade da ocorrência de alterações sensoriais relacionadas à luminosidade, cheiro ou som, por exemplo.

Reconhecer os sinais da fase pré-crise é essencial para ajudar o autista

Eventualmente, também há chances de alterações internas no organismo, que podem gerar instabilidade pré-crise ou aceleração. Esse estado é caracterizado pelo aumento de comportamento problemático ou precursores, como:

  • Mudança de expressão facial
  • Rigidez do corpo
  • Grito
  • Choro
  • Pulo
  • Fala acelerada

Esses sinais demonstram que o indivíduo entrará em uma crise, ou seja, são comportamentos antecessores de um pico comportamental. A intervenção deve iniciar nesse momento de pré-crise. Se não ocorrer uma rápida intervenção, o paciente terá uma instabilidade emocional, onde há chance de risco para ele mesmo, outras pessoas ou sobre o patrimônio.

Após o momento de desequilíbrio, o sujeito entra em um estado de desaceleração ou pós-crise. O objetivo da intervenção é interromper uma crise previamente ou lidar com a redução de danos em um pico.

O colapso é uma alteração comportamental de alta magnitude, no qual o indivíduo perde a razoabilidade, isto é, enfraquece seu bom senso e proporcionalidade. Portanto, aqueles em sua volta devem saber que, momentaneamente, aquele sujeito não compreende o que é falado e que discursos longos não são eficazes nessa ocasião.

É importante evitar uso de agrados; contenção física deve ser feita apenas por profissionais capacitados

É indicado ainda a retirada de itens perigosos ao redor, como copos de vidro, pratos e itens pontiagudos. Também é necessário distanciar pessoas alheias à situação, diminuir ruídos e prover um ambiente calmo e fresco, onde é possível se organizar novamente. Se a crise ocorrer na rua, o ideal é procurar um abrigo seguro. Não hesite em pedir ajuda, se necessário.

Outra dica pertinente é a abstenção de acesso a algum tipo de agrado, como brinquedo ou elogio, em momentos de crise. Não é recomendado premiar o comportamento alterado com reforçadores (agrados), ou seja, itens, objetos, interações ou atividades que acontecem como consequência de uma resposta.

A contenção física deve ser utilizada apenas por profissionais que passaram por treinamento de gerenciamento de crises. Como alternativa, em uma situação de risco iminente, podemos recorrer ao isolamento supervisionado para diminuir o risco de contato físico, de maneira que uma sala com poucos recursos pode funcionar de modo mais adequado que um ambiente com diversos itens.

Yasmine Martins

Yasmine Martins

Psicóloga Clínica formada pelo Centro Universitário São Camilo, com especialização em Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), aprimoramento em Psicologia Hospitalar e mestrado em Ciências da Saúde Infantil no Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (IAMSPE). É doutoranda em Saúde Baseada em Evidências na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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