Como presentear a criança autista?

12/12/2023TEA no Dia a Dia0 Comentários

“O brincar pode ser terapêutico e benéfico para os processos educacionais da criança neurodivergente”, explica Yasmine Martins‌

Presentear crianças na época de fim de ano exige não só um conhecimento dos gostos como das necessidades de cada pequeno e suas famílias. No caso de crianças neurodivergentes, nem sempre os brinquedos considerados “tradicionais” para cada faixa-etária serão os mais divertidos, e vale lembrar que a interação com objetos de diferentes formatos e texturas é uma ótima oportunidade de aprendizado.

“Ao escolher um presente para uma criança neurodivergente, é importante ter em mente que o brincar pode ser terapêutico e benéfico para seus processos educacionais”, explica Yasmine Martins, neuropsicóloga do Instituto PENSI e coordenadora do Autismo e Realidade.

Embora exista no mercado uma grande oferta de brinquedos específicos para crianças com TEA e TDAH, nem sempre existe a necessidade de objetos específicos: muitas vezes, os brinquedos que vão beneficiar a criança podem ser adquiridos em qualquer loja. Em alguns casos, esses itens até já existem em casa, como jogos de dominó e quebra-cabeças.

‌Brinquedos tradicionais ajudam crianças com autismo a aprender de forma lúdica

“Dominó, blocos de montar, livros de colorir, quebra-cabeças de diferentes tipos, jogos de tabuleiro, todos eles propiciam o aprendizado de maneira lúdica, além de favorecerem habilidades de atenção, concentração, foco, raciocínio lógico e planejamento. Eles são ótimas alternativas para o desenvolvimento dessas habilidades que são tão imprescindíveis para a adaptação da rotina diária”, completa a especialista.

Crianças neurodivergentes precisam treinar outras habilidades de forma específica, como consciência corporal e ampliação do repertório sensorial. Para isso, os familiares podem pensar em brinquedos e objetos que promovam o contato com novas texturas, cores e cheiros. “Para o aprimoramento dessas habilidades, indico brinquedos como fantoches, brinquedos de borracha ou pelúcia, gelecas, cubo entrelaçado, powerball giroscópio, painel sensorial e garrafa mágica”, sugere Yasmine.

Crianças atípicas precisam de estratégias específicas para desenvolverem algumas habilidades, como as de observação, imitação e a atenção compartilhada. O aprendizado exige alterações nas condições de ensino.

Uso de brinquedos pode ajudar a desenvolver habilidades afetadas pelo autismo

De modo geral, o autista apresenta dificuldade de perceber aspectos importantes do ambiente que o rodeia. Entre os exemplos, estão a incerteza sobre como realizar atividades do dia a dia, para onde olhar em uma conversa, entender conceitos sociais ou até mesmo o que falar quando o interlocutor faz referências abstratas.

O uso de alguns brinquedos pode ajudar a criança a criar estratégias e melhorar sua capacidade de interagir com o mundo. Dentro das chamadas sessões de intervenção, há uma modalidade de ensino estruturada chamada Ensino por Tentativas Discretas (DTT), que considera os chamados estímulos discriminativos – ou seja, itens que vão aumentar a probabilidade do comportamento, como brinquedos.

Outros elementos são a ajuda e a dica que o aprendiz recebe para seguir com a execução da tarefa, além de sua resposta, das consequências que ele verá mediante a resposta e do intervalo entre as tentativas. Esse tipo de ensino é configurado por instruções curtas e claras, como: “O que é isso?” e “Levante o pé”. O terapeuta diz “pegue a bola”, por exemplo, e em cima da mesa tem a bola, um pião e um boneco. Usar brinquedos que a criança gosta pode ajudá-la a cooperar e engajar com as atividades propostas.

Escrito por Stefanie Garcia, Teia.Work

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