O que são níveis de suporte no TEA e como eles podem auxiliar no diagnóstico

8/02/2024Diagnóstico0 Comentários

Autistas com níveis 2 e 3 de suporte apresentam um número maior de comorbidades e demandam acompanhamento terapêutico especializado

Quem já está familiarizado com a realidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA) sabe que cada autista é um autista: embora o TEA tenha algumas características definidoras, que auxiliam no diagnóstico e no desenvolvimento de terapias, ele se manifesta de formas múltiplas e não há um padrão para as capacidades e a personalidade de cada indivíduo.

O que acontece durante o processo de diagnóstico é bem diferente de colocar a pessoa com TEA em uma “caixinha” cheia de estereótipos e predefinições sobre o que é ser autista. Durante a investigação do TEA, os especialistas precisam encontrar alguns denominadores comuns, mas que não reduzem a pessoa a uma só definição.

A principal divisão que conhecemos hoje, estabelecida pelo manual do DSM-5, é a que classifica cada autista dentro de um determinado nível de suporte. Os três níveis de suporte classificam as pessoas com TEA de acordo com a possibilidade de autonomia.

‌Autistas nível 1 de suporte costumam imitar comportamentos de pessoas neurotípicas

São eles:

Nível 1 de suporte – Em geral, são pessoas que lidam com dificuldades para manter e seguir normas sociais, apresentam comportamentos inflexíveis e dificuldade de interação social desde a infância.

Podem ser mais difíceis de serem diagnosticados pelo masking, estratégia adotada por muitas pessoas com TEA desde a infância para evitarem bullying, sofrimento psicológico e estresse.

No masking, as pessoas com TEA tentam, a partir da imitação do comportamento de pessoas neurotípicas, esconderem o transtorno e se comportarem da forma que a sociedade espera. Ao longo da vida, autistas que tiveram que recorrer a estratégia para se sentirem seguros sentem ainda mais dificuldade de se expressar livremente, precisando de apoio psicológico para desfazer os efeitos negativos do masking.

Mesmo que tenham um nível maior de autonomia para algumas tarefas, vale lembrar que o autista de suporte 1 não é “menos” autista do que uma pessoa de suporte 2 ou 3. O autista de nível 1 sente impactos consideráveis do transtorno em seu cotidiano, e continua precisando de terapias e acompanhamento profissional.

‌Autistas níveis 2 e 3 apresentam déficits mais marcantes na comunicação

Nível 2 de suporte: em geral, apresentam comportamento social atípico, rigidez cognitiva, dificuldades de lidar com mudanças e hiperfoco (interesse intenso por determinados objetos, pessoas ou temas). Nesse nível do espectro, o autista demonstra déficits marcantes na conversação, com respostas reduzidas ou consideradas atípicas. As dificuldades de linguagem são aparentes mesmo quando a pessoa tem algum suporte, e a sua iniciativa para interagir com os outros é limitada.

Nível 3 de suporte: nestes casos, os indivíduos têm dificuldades graves no seu cotidiano e déficit severo de comunicação, com uma resposta mínima a interações com outras pessoas e a iniciativa própria de conversar muito limitada. Também podem adotar comportamentos repetitivos, como bater o corpo contra uma superfície ou girar, e apresentarem grande estresse ao serem solicitados a mudarem de tarefa.

Autistas nível 2 e 3 de suporte também apresentam uma incidência maior de comorbidades, como depressãoTDAH, TOC, ansiedade, epilepsia, distúrbios do sono, dificuldades de fala, distúrbios gastrointestinais, deficiência intelectual e dificuldades de coordenação motora.

Nível de suporte não resume o autista porque transtorno se manifesta em cada indivíduo de forma diferente

Vale lembrar que o nível de suporte não consegue definir o autista por completo. Autistas de nível 3 de suporte podem escrever um livro com ajuda de comunicação aumentada, por exemplo, mas não conseguirem ir ao banheiro ou tomarem banho sem ajuda. Autistas de nível 1 podem ter dificuldades consideráveis de socialização e aprendizado, mesmo que grande parte das pessoas nesse nível do espectro tenha mais autonomia.

Outro exemplo de como cada pessoa com TEA precisa ser analisada de forma personalizada é a deficiência intelectual. Nem todo autista não verbal possui deficiência intelectual, assim como nem toda pessoa nível 1 de suporte possui altas habilidades e superdotação. Apenas o acompanhamento terapêutico a longo prazo pode ajudar cada autista a conhecer a sua individualidade e múltiplas capacidades.

Escrito por Stefanie Garcia, Teia.Work

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