Equipe multidisciplinar é essencial para diagnóstico e acompanhamento da criança com TEA

27/02/2024Saúde & Diagnóstico2 Comentários

Profissionais de múltiplas especialidades também podem ajudar na escolarização e adaptação social do autista

O diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é essencial para a qualidade de vida a longo prazo das crianças. Quanto mais cedo começa a intervenção, maiores as chances de desenvolvimento, e a equipe multidisciplinar tem grande participação nesse processo.

O diagnóstico de TEA é feito pelo médico especialista com subsídio de avaliação da equipe multiprofissional. A partir do diagnóstico e do nível de suporte da criança, a equipe decide quais terapias e intervenções são necessárias para ajudar o desenvolvimento.

Mas como a equipe multidisciplinar é formada? Isso vai variar de acordo com o nível de suporte da pessoa com autismo e também de como o transtorno se expressa em cada caso. Autistas não verbais terão uma maior carga horária com fonoaudiólogos, por exemplo, enquanto pessoas TEA nível 2 ou 3 de suporte costumam precisar de mais tempo de terapia ocupacional para incentivar a autonomia em tarefas do cotidiano. Autistas com hipersensibilidade podem se beneficiar de terapia de integração sensorial, e aqueles que apresentam seletividade alimentar se beneficiam de acompanhamento com nutricionistas.

‌Equipe multidisciplinar ajuda também no diagnóstico de autismo

Um exemplo recente da importância da equipe multidisciplinar é a decisão do governo paulista de sancionar o projeto de lei que autoriza a criação de Centros de Referência e Atendimento Especializado às pessoas com TEA, como já fazem, por exemplo, o Rio Grande do Sul, a Bahia e o Amapá. A medida prevê que os equipamentos ofereçam atendimento em ao menos cinco especialidades: fonoaudiologia, pediatria, fisioterapia, psicologia e neurologia.

A importância de iniciativas como essa é a facilidade do acesso: a reunião em um mesmo espaço de diversas especialidades indicadas para o diagnóstico e posterior tratamento é defendida por especialistas, que apontam a necessidade de que as terapias sejam multidisciplinares e comecem o mais rápido possível.

As avaliações multidisciplinares envolvem profissionais de diferentes áreas da saúde – como fonoaudiologia e terapia ocupacional – e diferentes avaliações e testes. É justamente entre os seis e os 18 meses que as manifestações do autismo se tornam mais frequentes. Entre as possíveis avaliações nesta idade está também o monitoramento pelo rastreio ocular – que ainda ocorre em uma escala experimental, mas desponta como ferramenta promissora no auxílio ao diagnóstico precoce.

‌Equipe multidisciplinar também auxilia o aprendizado e a inclusão em ambiente escolar

inclusão do aluno com TEA é um dos principais desafios enfrentados pelas famílias que matriculam seus filhos no ensino público e privado, desde a infância até o fim da adolescência. Dependendo do nível de suporte do aluno e de suas necessidades específicas, professores e assistentes precisam da intervenção de uma equipe multidisciplinar que entenda como ajudar a inclusão da forma menos estressante possível.

Fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais são essenciais nesse processo, assim como o Acompanhante Terapêutico (AT), profissional capacitado que acompanha a pessoa com TEA para ajudar no desenvolvimento, na execução de tarefas e na aquisição de autonomia.

Na escola, o AT trabalha em conjunto com os professores, coordenadores e demais profissionais, com base nos objetivos definidos pela equipe multidisciplinar que atende aquele paciente. Sua principal função é garantir que o indivíduo aproveite todas as atividades e recursos propostos da melhor forma possível. Além de focar nos objetivos traçados, ele orientará todos os profissionais acerca da adaptação curricular e das atividades, em como estimular a socialização e como trabalhar a independência e autonomia nas atividades do dia a dia, de acordo com a necessidade de suporte do indivíduo.

Escrito por Stefanie Garcia, Teia.Work

2 Comentários

  1. Tenho dois netos autistas órfãos de mãe, moramos em Macapá.Ap, sentimos muita data de Centro Especializados gratuito por parte do governo, ficamos em longa fila de espera, ou corremos ao particular. Muito triste a realidade as nossas crianças TEA, vaga em escola não tem o suficiente, nem cuidador.
    SOS o número de crianças TEA só tem se multiplicado .

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  2. Seu artigo foi muito esclarecedor, obrigado!

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